'A febre', de Maya Da-Rin, é o grande vencedor do Festival de Brasília 2019

BRASÍLIA — Filme dirigido pela carioca Maya Da-Rin, "A febre" foi o grande vencedor do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Produção que vem acumulando elogios em festivais mundo afora — no Festival de Locarno, na Suíça, a narrativa levou o prêmio de melhor atuação masculina para Regis Myrupu —, "A febre" arrematou o Troféu Candango em cinco categorias: Melhor Longa-Metragem, Direção, Ator (para Myrupu), Fotografia e Som. Na premiação avaliada pelo júri popular, o brasiliense "O tempo que resta", de Thaís Borges", foi eleito como melhor longa da Mostra Competitiva.

Os vencedores foram anunciados na noite do último sábado (30), após nove dias de exibições — e 111 películas projetadas — no Cine Brasília e em outras quatro salas da cidade.

"A febre" acompanha a história de Justino (Régis Myrupu), um indígena do povo Desana que trabalha como vigilante num porto de cargas em Manaus, no Amazonas. Viúvo, ele tem como principal companhia a filha, que se prepara para estudar Medicina em Brasília. Tomado por uma febre misteriosa, o personagem passa a ser perseguido por uma criatura enigmática durante todas as noites. E luta para se manter acordado no trabalho.

Documentário também rodado em região da Floresta Amazônica, "O tempo que resta" esmiúça as rotinas das líderes extrativistas Maria Ivete Bastos e Osvalinda Marcelino Pereira no combate a madereiros, ao agronegócio e à mineração ilegal. Ameaçadas por grupos de pistoleiros, as duas abrem parte de suas vivências pessoais e expõem o cotidiano em família e no trabalho, em registro que preza a intimidade de ambas.

Outro destaque nesta edição do Festival de Brasília foi "Alice Júnior". A comédia dirigida por Gil Baroni arrematou quatro Candangos — na categorias Melhor Atriz (para Anne Celestino), Atriz Coadjuvante (para Thais Schier), Trilha Sonora e Montagem. O filme segue a vida de Alice Júnior (Anne), uma youtuber trans cercada de mimos e liberdades pela família. Após se mudar com o pai para uma pequena cidade, onde a escola em que estuda parece ter parado no tempo, a jovem precisa sobreviver ao ensino médio e ao preconceito para conquistar seu maior desejo: dar o primeiro beijo.

Abaixo, confira os principais vencedores da 52ª edição do Festival de Brasília:

Mostra Competitiva – Longa-metragem

Melhor Som

"A Febre", de Maya Da-Rin (com equipe de Som de Felippe Schultz Mussel, Breno Furtado e Emmanuel Croset).

Melhor Trilha Sonora

"Alice Júnior", de Gil Baroni (com trilha Sonora de Vinicius Nisi).

Melhor Direção de Arte

"Piedade", de Claudio Assis (com direção de Arte de Carla Sarmento).

Melhor Montagem

"Alice Júnior", de Gil Baroni (com montagem de Pedro Giongo).

Melhor Fotografia

"A Febre", filme de Maya Da-Rin (com direção de Fotografia de Bárbara Alvarez).

Melhor Roteiro

"O tempo que resta", de Thaís Borges (com roteiro de Thaís Borges).

Melhor Ator Coadjuvante

Cauã Reymond, por "Piedade", de Claudio Assis.

Melhor Atriz Coadjuvante

Thais Schier, por "Alice Júnior", de Gil Baroni.

Melhor Ator

Régis Myrupu, por "A febre", de Maya Da-Rin.

Melhor Atriz

Anne Celestino, por "Alice Júnior", de Gil Baroni.

Melhor direção de longa-metragem

Maya Da-Rin, por "A febre".

Melhor longa-metragem (júri popular)

"O tempo que resta", de Thaís Borges.

Prêmio Especial do Júri

Claudio Assis, pelo filme "Piedade".

Melhor longa-metragem (júri técnico)

"A febre", de Maya Da-Rin.

Menção honrosa

"Ary y yo", de Adriana de Farias.

"Boca de ouro", de Daniel Filho.

"Um filme de verão", de Jo Serfaty.