Fed, banco central americano, volta a elevar juros em 0,75 ponto percentual

O Federal Reserve, Banco Central americano, voltou a elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira, dando mais um passo em seu processo de aperto monetário.

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"Os indicadores recentes de gastos e produção se suavizaram. No entanto, os ganhos de emprego foram robustos nos últimos meses e a taxa de desemprego permaneceu baixa. A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de alimentos e energia e pressões mais amplas sobre os preços", destacou o banco em comunicado.

Com a elevação, agora os juros estão na faixa entre 2,25% e 2,5%. A votação foi unânime e o Fed prevê que os aumentos contínuos na taxa de juros serão apropriados. No anúncio, há destaque que a autoridade monetária está altamente comprometida em trazer a inflação de volta para a meta de 2% ao ano.

A alta nos juros visa combater uma inflação que está nos maiores patamares em quatro décadas. O índice de preços ao consumidor de julho registou avanço de 9,1% na base de comparação anual, maior elevação desde 1981.

Segundo os dirigentes do banco, a guerra entre Rússia e Ucrânia está criando uma pressão ascendente adicional sobre a inflação e está pesando sobre a atividade econômica global.

O Fed também continuará com o cronograma de redução de seu balanço patrimonial, formado por títulos do Tesouro, dívida e títulos lastreados em hipotecas de agências. Essa é mais uma medida voltada a reduzir os estímulos à economia

"O Comitê estaria preparado para ajustar a orientação da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir a consecução dos objetivos", destaca o anúncio do Fed.

O Fed começou o ciclo de alta de juros nos EUA em março, quando elevou a taxa em 0,25 ponto percentual. Em maio, subiu 0,5 ponto e, em junho, fez a maior alta nos juros desde 1994: 0,75 ponto percentual.

Além do aumento nos preços, a autoridade monetária observa o atual momento aquecido do mercado de trabalho para tomar suas decisões.

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A taxa de desemprego no país está em 3,6% e ainda há vagas ociosas já que muitos trabalhadores optam por não preencher determinados empregos. Isso pressiona ainda mais a inflação, pois as empresas precisam aumentar a oferta salarial, encarecendo os custos de seus serviços e mercadorias.

O anúncio já era esperado pelo mercado, que se questiona até onde a autoridade monetária irá levar as taxas.

Também segue no radar dos investidores os efeitos do processo de aperto monetário para a economia global. Nos últimos meses, diversos bancos e gestores avaliam a possibilidade de uma recessão, ainda que branda, na economia americana.

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Bancos centrais ao redor do globo gastaram as últimas semanas acelerando seus aumentos de juros, já que a inflação é hoje um problema que a maior parte dos países têm em comum. Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros pela primeira vez desde 2011.

A lista ainda inclui países como Canadá, Suiça, Austrália, Inglaterra, México, África do Sul, além do Brasil, onde o Banco Central elevou para 13,25% ao ano a taxa básica de juros (Selic) em junho.

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