Fed diz que estímulos fiscais podem ser necessários para manter a atividade econômica

Paola De Orte, especial para O GLOBO

WASHINGTON — O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powell, disse neste domingo que estímulos fiscais podem ser necessários para manter o nível de atividade, mas descartou juros negativos como ferramenta para combater o recuo econômico esperado com a pandemia do coronavírus. Powell afirmou também que acredita que o crescimento dos Estados Unidos no segundo trimestre será fraco e que o Fed está disposto a usar todas as ferramentas disponíveis para manter a atividade econômica.

— Estamos preparados para usar toda a nossa gama de ferramentas para apoiar o fluxo de crédito para famílias e empresas, ajudar a manter a economia forte e promover nossos objetivos de maximização de emprego e estabilidade de preços.

O presidente afirmou que, nessa caixa de ferramentas, provavelmente não constam políticas de juros negativos.

— Fizemos um estudo de mais de um ano sobre nossas ferramentas e comunicações. Quando começamos, vimos as orientações futuras e as compras de ativos como os elementos básicos de nosso kit de ferramentas, uma vez que estivéssemos no limite inferior efetivo (da taxa de juros). Não vemos políticas de taxas negativas como provável resposta apropriada aqui nos Estados Unidos.

O presidente do Banco Central americano participou neste domingo de uma coletiva por telefone para anunciar as medidas tomadas para lidar com os impactos econômicos gerados a partir da disseminação do coronavírus.

Durante a coletiva, Powell afirmou que “certamente pode haver a necessidade” de mais estímulos fiscais no país, já que apenas esse tipo de estímulo tem a capacidade de lidar diretamente com os efeitos do coronavírus para indústrias e trabalhadores.

— Há a questão de um estímulo fiscal mais amplo, e eu acho que isso vai depender do caminho que a economia tomar. Eu acho que há tantas possibilidades diferentes aqui. Algumas são muito difíceis de prever, mas certamente pode haver a necessidade disso.

Injeção de US$ 700 bilhões

Antes da coletiva, o Fed já havia anunciado que iria reduzir drasticamente os juros da economia americana para 0% a 0,25%, a segunda medida extraordinária (fora do calendário oficial de anúncios) do banco neste mês. A última vez em que os juros da maior economia do mundo operaram neste intervalo foi em 2008, quando o mundo enfrentava a crise global desencadeada pela bolha das hipotecas.

Questionado sobre a possibilidade de deflação, o presidente do banco central americano afirmou que esta não é uma questão no momento.

— Com o coronavírus chegando, nós julgamos que os efeitos líquidos disso serão ter a inflação movendo um pouco mais [para baixo]. Não é uma questão de deflação.

O Fed anunciou no domingo que comprará ao menos U$ 500 bilhões em títulos do Tesouro e US $ 200 bilhões em títulos lastreados em hipotecas “nos próximos meses”.