Fed indica possível corte dos juros para sustentar economia dos EUA

Por Virginie MONTET
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Presidente do Fed Jerome Powell

O Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos indicou nesta quarta-feira (19) que poderá cortar em breve a taxa de juros, em um contexto de crescentes incertezas, e prometeu agir para sustentar o crescimento econômico.

"Notadamente desde a última reunião, aumentaram as incertezas no panorama", disse o presidente do Fed Jerome Powell após uma reunião de dois dias do comitê de política monetária da entidade.

Os membros do Fed "estão conscientes da atual corrente contrária, incluindo os problemas comerciais e as preocupações sobre o crescimento mundial", disse a jornalistas.

Acrescentou, contudo, que é importante que a política monetária não reaja com base em "sentimentos de curto prazo".

Ao observar que os indicadores de crescimento são decepcionantes em muitos países, Powell voltou a evidenciar sua preocupação com o vigor da economia global.

Perguntado se os juros voltarão a subir caso a guerra comercial entre China e Estados Unidos seja solucionada, Powell disse que os membros do Fed "não se concentram apenas em um fato ou em um indicador econômico".

O Fed utilizará "as ferramentas apropriadas para sustentar a expansão americana", disse Powell, que fez questão de afirmar seu desejo de cumprir integralmente seu mandato de quatro anos apesar das criticas do presidente Donald Trump.

Mesmo sem unanimidade, o comitê de política monetária do Fed (FOMC) informou que os juros continuarão entre 2,25% e 2,50%, segundo o comunicado.

O comunicado emitido inclui uma significativa mudança na linguagem. Já não diz que o Fed será "paciente" enquanto examina a evolução dos indicadores, como vinha fazendo desde janeiro.

Nas últimas semanas, funcionários admitiram que a disputa comercial com a China tornam o horizonte econômico nebuloso.

"À luz dessas incertezas e da fraca inflação, o comitê acompanhará de perto as implicações das futuras informações para o panorama econômico e atuará na forma apropriada para sustentar a expansão; com um sólido mercado de trabalho e a inflação perto de seu simétrico objetivo de 2%", afirma o comunicado do FOMC.

James Bullard, presidente do Fed de St. Louis, votou contra a decisão e propôs um corte de 25 pontos.

As previsões trimestrais dos membros do Fed divulgadas nesta quarta-feira revelaram uma mudança no sentido de flexibilizar a política monetária com muito menos expectativas de elevar os juros este ano, como havia sido estimado em março.

No entanto, há divergências sobre manter as taxas intactas ou reduzi-las.

As projeções, no entanto, não refletiram grandes mudanças no panorama: a média das estimativas de crescimento e desemprego permaneceu essencialmente inalterada em relação a março, enquanto a previsão de inflação foi reduzida para 1,5% de 1, 8%

O comunicado diz que o Fed ainda enxerga uma sustentada expansão econômica e a inflação caminhando para a meta de 2%, mas agora admite que o crescimento é apenas "moderado" e que os investimentos são "brandos".