Fed não prevê aumento da taxa de juros dos EUA em 2019

O presidente do Fed, Jerome Powell, em 30 de janeiro de 2019 durante uma coletiva de imprensa

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) não espera aumentar a taxa de juros neste ano, segundo um comunicado divulgado nesta quarta-feira, um sinal surpreendente de que a economia dos Estados Unidos está desacelerando.

Foi um retrocesso agressivo que provavelmente será um choque para muitos economistas que não esperavam uma mudança tão drástica na perspectiva do banco central, que até setembro esperava elevar as taxas três vezes em 2019.

"Pode levar algum tempo até que as perspectivas de emprego e inflação exijam claramente uma mudança na política", disse Powell a repórteres em uma coletiva de imprensa após o anúncio.

Esta mudança significa que nove dos 17 membros do Comitê de Política Monetária (FOMC) reduziram suas projeções para este ano.

Contudo, a estimativa confirma que o próximo movimento esperado é uma alta dos juros, mas isso só deve ocorrer em 2020.

A explicação pode ser encontrada na mudança radical da linguagem na declaração do FOMC, que foi unânime na decisão de manter a taxa inalterada, na faixa de 2,25% a 2,5%, um reflexo da desaceleração da maior economia do mundo.

Em sua segunda reunião do ano, o comitê disse que "o crescimento da atividade econômica desacelerou em relação à sua taxa sólida no quarto trimestre", já que os gastos das famílias e das empresas devem cair e a inflação anual caiu.

Em contraste, em janeiro, o FOMC disse que a atividade econômica estava crescendo a uma "taxa forte" e que os gastos das famílias continuaram a "crescer fortemente".

"À luz da evolução econômica e financeira global e das pressões inflacionárias moderadas, o comitê será paciente", disse o comunicado.

- Redução de ativos -

O presidente do Fed, Jerome Powell explicou a reviravolta, que ele chamou de "método esperar para ver", dizendo que, embora os estímulos fiscais tenham impulsionado a economia em 2018, há "dados chegando desde setembro, sugerindo que o crescimento está desacelerando um pouco mais do que o esperado".

E embora existam "desenvolvimentos em casa e ao redor do mundo que requerem muita atenção", disse Powell aos repórteres, a perspectiva do Fed "é positiva".

Os integrantes do FOMC reduziram sua previsão média de crescimento econômico neste ano para 2,1%, contra de 2,3% antecipados em dezembro. As estimativas contrastam radicalmente com a expectativa de expansão de mais de 3% neste ano do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca.

Economistas alertaram que uma previsão zero ajustes poderia encorajar os mercados a começarem a esperar que o banco central reverta sua direção e passe a cortar as taxas, em vez de aumentá-las.

O FOMC também decidiu desacelerar o ritmo de redução de seus títulos - incluindo títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas -, que chegaram a 4,5 trilhões de dólares nos anos seguintes à crise financeira global de 2008, adquiridos para estimular a economia.

O processo de redução desses ativos agitou os mercados, que temiam que, ao investir menos em títulos do Tesouro, o Fed aumentasse indiretamente as taxas de juros.