Fed sobe juros em 0,50 p.p. e iniciará redução do balanço em 1º de junho

Sede do Federal Reserve em Washington

Por Howard Schneider e Ann Saphir

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve elevou nesta quarta-feira sua taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, o maior aumento em 22 anos, e o chefe do banco central dos Estados Unidos fez um apelo direto aos norte-americanos que têm sofrido com a inflação alta para que se mantenham firmes enquanto as autoridades tomam medidas duras para controlar a alta dos preços.

Em uma decisão amplamente esperada, o banco central estabeleceu a meta de sua taxa básica num intervalo entre 0,75% e 1% em uma decisão unânime, com a probabilidade de mais aumentos nos custos de empréstimos de magnitude talvez semelhante à frente. O chair do Fed, Jerome Powell, no entanto, disse a jornalistas que um ajuste de até 0,75 ponto percentual não é algo que as autoridades estejam "considerando ativamente".

O banco central também disse que começará a reduzir em junho o estoque de aproximadamente 9 trilhões de dólares em ativos acumulados durante a pandemia, em outra frente para controlar o avanço dos preços.

"É muito desagradável", afirmou Powell sobre o impacto sobre as famílias da inflação, atualmente em patamar equivalente a cerca de três vezes a meta de 2% do Fed. "Se você é uma pessoa econômica normal, então provavelmente não tem... tanto extra... para gastar e isso está afetando imediatamente seus gastos com mantimentos... gasolina, energia e coisas assim. Então entendemos a dor envolvida."

Powell disse, em uma entrevista coletiva logo após o fim da reunião de política monetária de dois dias, que ele e seus colegas estão determinados a restaurar a estabilidade de preços, mas que isso implica subir a taxa de juros, inclusive para coisas como hipotecas e financiamento de veículos.

"Então, também não será agradável, mas no final, todo mundo fica melhor... com preços estáveis."

Ainda assim, o Fed disse que a economia continua a ter um bom desempenho, e Powell afirmou que ela está bem posicionada para suportar os próximos ajustes dos juros, que provavelmente serão de um valor semelhante ao anunciado nesta quarta-feira.

Apesar da queda no Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros três meses do ano, "os gastos das famílias e o investimento fixo das empresas continuam fortes. Os ganhos de emprego têm sido robustos", disse o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) em comunicado, ao final de dois dias de reunião de política monetária em Washington.

As autoridades aprimoraram sua descrição dos riscos de persistência da inflação elevada, especialmente com fatores que surgiram desde o início do ano, que incluem a guerra na Ucrânia e novos lockdowns contra o coronavírus na China. "O Comitê está muito atento aos riscos inflacionários."

REDUÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL

O comunicado disse que o balanço do Fed, que saltou para cerca de 9 trilhões de dólares conforme o banco central tentava proteger a economia da pandemia de Covid-19, poderá ser reduzido em 47,5 bilhões de dólares por mês em junho, julho e agosto, e em até 95 bilhões de dólares por mês a partir de setembro.

As autoridades do Fed não divulgaram novas projeções econômicas após a reunião desta semana, mas os dados desde o último encontro do colegiado, em março, deram poucos sinais de que a inflação, o crescimento salarial ou um ritmo rápido de contratações começaram a desacelerar.

Os mercados de ações dos EUA subiam após o anúncio, e ampliaram ganhos depois de Powell dispersar a ideia de uma alta de 0,75 ponto percentual em um futuro próximo. Os rendimentos dos títulos do governo recuavam. O dólar enfraquecia modestamente em relação a uma cesta de moedas dos principais parceiros comerciais.

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