Federação Israelita pede 'atitude enérgica' de Colégio Porto Seguro após aluno ser vítima de racismo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Federação Israelita do estado de São Paulo, entidade representativa da comunidade judaica paulista, vai divulgar uma nota em que pede uma "atitude enérgica" do Colégio Visconde de Porto Seguro após um aluno da unidade de Valinhos (SP) ter sido vítima de racismo.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o aluno foi incluído um grupo de WhatsApp intitulado "Fundação Anti Petismo" em que alunos compartilharam mensagens e "stickers" com cunho racista, homofóbico, nazista e gordofóbico.

O grupo surgiu no domingo (30), logo após as eleições, e reunia pouco mais de 30 alunos.

Na troca de mensagens, eles disseram que queriam criar a "Fundação dos Pro Reescravização do Nordeste", enviaram "stickers" vangloriando Adolf Hitler e encaminharam mensagens como "não encontro um petista comemorando, acho que é porque eles não têm celular ainda" e "quero que os nordestinos morram de sede".

A entidade afirma que repudia veemente o conteúdo das mensagens. Os estudantes "utilizaram de discurso nazista para defenderem suas ideias políticas, o que jamais pode ser admitido", diz ainda a nota.

E segue: "Cabe uma atitude enérgica da escola, bem como da sociedade, a fim de que discursos como estes sejam banidos, de uma vez por todas, de nosso convívio. Não podemos tolerar mais manifestações que visam diminuir um povo, uma raça ou qualquer ser humano".

Ao ser incluído no grupo de WhatsApp, o adolescente de 15 anos perguntou em uma mensagem do que se tratava o grupo. Um dos participantes respondeu que eles seriam os "neonazistas do Porto".

Quando o aluno se manifestou contra o cunho das mensagens, foi excluído e logo depois recebeu mensagem de um colega dizendo "espero que você morra fdp negro".

Além disso, recebeu uma imagem de Hitler com a legenda "se ele fez isso com os judeus, posso fazer isso com os petistas".

Mãe do adolescente, a advogada Thais Cremasco registrou um boletim de ocorrência contra os alunos do colégio que participavam do grupo.

Em nota enviada à Folha, o colégio disse que "repudia qualquer ação e/ou comentários racistas contra quaisquer pessoas".

A instituição de ensino também declarou que "não admite nenhum tipo de hostilização, perseguição, preconceito e discriminação".

Disse ainda que em todos as unidades da instituição (há duas na capital paulista) são realizadas palestras, orientações educacionais e projetos acerca da diversidade de opinião, de raça e de gênero para alunos e comunidade escolar.