Federação Portuguesa pune dirigentes acusados ​​de assédio sexual

Treinador e dirigente foram denunciados pelas jogadoras por assédio sexual e receberam punição. Foto: Getty Images
Treinador e dirigente foram denunciados pelas jogadoras por assédio sexual e receberam punição. Foto: Getty Images

O Conselho de Disciplina, Seção Não Profissional, da Federação Portuguesa de Futebol, informou através de comunicado oficial divulgado nesta quinta-feira (3) as sanções aplicadas contra Miguel Afonso, treinador da equipe feminina de Famalicão, e Samuel Costa, diretor esportivo do mesmo clube.

Ambos os dirigentes do clube português estão suspensos das suas funções, o treinador por 35 meses, e o diretor técnico, um ano e meio. Além disso, devem pagar multas que variam entre 3.000 e 5.100 euros.

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Os dois foram denunciados pelas jogadoras por assédio sexual e, uma vez analisados ​​os casos, o Conselho Disciplinar, Secção Não Profissional, da Federação Portuguesa de Futebol decidiu aplicar as referidas sanções.

Concretamente, e conforme assinalado no comunicado divulgado pela entidade portuguesa, o processo disciplinar foi instaurado com urgência por "suposto comportamento discriminatório com base no gênero e/ou orientação sexual (...), bem como denúncias anónimas apresentadas através do Plataforma de Integridade FPF."

A investigação apurou que o treinador ultrapassou as suas funções, reiterando a insistência em tratar de aspetos de índole pessoal e não apenas profissional, além de, posteriormente, ofender a dignidade de até cinco vítimas, todas menores de 21 anos.

Da mesma forma, no comunicado expõem expressamente as mensagens que são objeto da denúncia, todas elas com um “tom algo persecutório, limitando e castrando a liberdade pessoal dos referidos jogadores e, em última instância, a sua dignidade”.

O caso veio à tona no último mês de setembro, quando jogadoras da equipe feminina do Rio Ave em 2020/21 denunciaram ações de assédio sexual por Miguel Afonso, então treinador do clube.

Em 30 de setembro, várias jogadoras treinadas por Miguel Afonso formalizaram, através do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), queixas por assédio sexual na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e na Polícia Judiciária (PJ), segundo confirmou à Lusa fonte sindical.

O SJPF foi acionado e, tendo recolhidos os elementos de prova, formalizou as participações, que, de acordo com a mesma fonte, não incluem apenas jogadoras do plantel do Rio Ave, mas também de outros clubes orientados pelo referido treinador.