'Feiki — É tudo mentira' aborda, com humor, a propagação de informações irreais

Gustavo Cunha

As aparências não enganam. No cartaz de divulgação de “Feiki — É tudo mentira”, peça que acaba de estrear no Teatro de Arena do Sesc Copacabana, uma informação tem levantado sobrancelhas desavisadas. Sob a imagem do elenco formado por Ricardo Blat,Stella Miranda e Tadeu Melo (da esquerda para a direita, na foto acima) pairam os seguintes nomes: Caio Blat, Sônia Braga e Renato Aragão. Mas o erro é proposital.

Texto inédito de Rogério Blat, a comédia dirigida por Ernesto Piccolo brinca com assuntos atuais ao abordar, com bom humor, as possíveis consequências desastrosas da disseminação de informações falsas.

A história acompanha uma dupla de atores veteranos (interpretados por Blat e Stella), famosos por terem formado um par romântico de sucesso no passado e por isso convocados para papéis numa série independente de televisão. No primeiro dia de trabalho, porém, o diretor da produção (Melo) pondera que ainda precisa fazer um teste para checar se eles realmente combinam com o cenário e os figurinos da atração. O pedido gera indignação, e os dois começam a desvelar, por descuido, determinadas máscaras que sustentavam em seus comportamentos.

— São pessoas que criam personalidades para fingir o que não são. E aí todas as relações passam a ser inventadas: tudo é divino e maravilhoso, só que não — diz Piccolo, que retoma uma frutífera parceria com os irmãos Rogério e Ricardo Blat, com quem já trabalhou em mais de 20 peças.

Apesar da despretensão com que se apresenta — em enredo marcado por quiproquós que beiram o absurdo —, a trama evoca problemas complexos de uma realidade movida a artificialidades. A dupla de protagonistas, por exemplo, mantém imagens de artistas poderosos e bem-sucedidos, mas se sujeitam a humilhações diante dos colegas, já que não têm dinheiro para pagar o ônibus.

— Há muitas coisas em comum com o que a gente vive no dia a dia, quando ficamos atentos a quantas curtidas recebemos na internet e a quantos amigos e seguidores arrebanhamos nas redes sociais: são coisinhas medíocres do cotidiano! E isso gera um efeito dilacerante — ressalta Piccolo, nome por trás de produções de sucesso este ano, como “Simples assim” e o infantojuvenil “D.P.A, a peça”, em cartaz até hoje em São Paulo.

Sesc Copacabana (Teatro de Arena): Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana — 22547-0156. Qui a dom, às 19h. R$ 30 (quem levar 1kg de alimento paga meia). 60 minutos. Não recomendado para menores de 16 anos. Até 15 de dezembro.