Feira de Economia Solidária em São Paulo chama atenção para comércio mais justo

Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

A primeira edição da Feira de Economia Solidária ocorre neste final de semana no Sesc Vila Mariana, na zona sul da capital paulista. O evento conta com expositores de produtos artesanais e alimentos, que valorizam práticas sustentáveis, desenvolvimento da economia local, design de impacto social e reaproveitamento de materiais, além de uma feira de troca de livros.

 

Feira de Economia Solidária em São Paulo  Mariana Martucci/Divulgação Sesc Vila Mariana

“Economia solidária é um conceito amplo, mas que pode indicar inclusive alternativas para você ter uma cadeia produtiva de comércio mais justo e de comércio mais igualitário, que respeite um pouco mais [todos os processos da produção], sem ter uma cadeia de larga escala que explore, às vezes, mais uma etapa do que outra, financeiramente falando”, disse Aloisio Milani, técnico do Núcleo Socioeducativo do Sesc Vila Mariana.

“A grande sacada da economia solidária é essa: como você consegue, dentro de uma comunidade, gerir e incentivar essa cadeia para que o dinheiro circule dentro da comunidade, sem que você fique com atravessadores e que você consiga manter essa cadeia produtiva e essa rede de maneira mais próxima e justa, com um valor que remunere de forma adequada essa cadeia produtiva inteira”, afirmou.

Um dos conceitos trabalhados pelo Sesc, segundo Milani, “é a questão da valorização social e de ter iniciativas que possam gerar renda para comunidades, e que isso possa ganhar visibilidade”. Ele acrescentou que a realização de uma feira potencializa a visibilidade para esses projetos e possibilita a troca de experiências com o público e entre os próprios expositores.

A Rede Design Possível, uma das expositoras da feira, é uma associação sem fins lucrativos que integra diversas iniciativas de coletivos e empreendimentos sociais. Entre os produtos da rede, estão cadernos, porta-guardanapos e objetos de madeira, alguns deles feitos por pessoas com deficiência intelectual durante oficinas em instituições tanto do governo quanto de organizações não governamentais. “Cada uma dessas oficinas tem um oficineiro e um designer junto. É uma maneira da inclusão social através da geração de renda e do trabalho”, contou José Otávio de Moura, integrante da Design Possível.

O objetivo é remunerar toda a cadeia de produção de forma equilibrada, visando a gerar renda para o trabalhador e não lucro para qualquer uma das partes. “Na economia solidária não existe lucro, você não está lucrando porque isso tem a ver com outra prática. Na economia solidária, você tem o capital, tanto que você vende as coisas, só que você foca no ser humano. Então você busca geração de renda, mas prioriza o ser humano em vez da produção”, disse.

Moura destacou a inclusão por meio do trabalho e geração de renda, a partir da habilidade específica de cada um, sem a padronização produtiva. “Você inclui, por exemplo, na questão da saúde mental. Cada um tem sua produção, sua velocidade, você não tem que padronizar e [fazer com que] todos façam a mesma quantidade de cadernos por dia. Cada um tem seu ritmo, mas você inclui todos eles. Essa é a diferença”.

No entanto, ele avaliou que a economia solidária é muito frágil. “É uma batalha para fazer isso sobreviver em todos os sentidos: de você dar boas proporções e boas condições para as empresas de economia solidária se fortalecerem e caminharem bem e medidas como essa aqui [do Sesc], de vocês trazer os produtos para [vender na] feira”.

A Feira de Economia Solidária fica aberta até amanhã, das 11h às 18h, no Sesc Vila Mariana. A entrada é gratuita.