Feira de energia vai inaugurar novo centro de convenções no Porto do Rio

Em evidência por causa de projetos de prédios residenciais e da expansão do VLT até o Caju, a região central do Rio terá mais um estímulo para sua revitalização nesse período pós-pandemia. A Pier Mauá, concessionária que faz a gestão do Porto, anunciou que vai transformar o galpão onde fica o grafite ‘‘Etnias’’, de Eduardo Kobra, num centro de convenções de médio porte. A ideia é disputar o mercado nacional de feiras e exposições com São Paulo, se valendo da proximidade com o Aeroporto Santos Dumont, com a Rodoviária do Rio e até com o Galeão. Além disso, o espaço pode ser alternativa ao pioneiro Riocentro, na Barra da Tijuca, e ao Expomag (ex- Centro de Convenções SulAmérica), na Cidade Nova.

O ponto de partida do plano será em setembro. Mesmo sem estar com toda a infraestrutura adaptada, o prédio será usado pela primeira vez neste novo formato pela 20ª edição da Rio Oil & Gas — do dia 26 ao dia 29. A feira mundial de energia também vai ocupar outros três galpões da Pier Mauá, que tradicionalmente já recebem atividades. Será a primeira vez que o Boulevard Olímpico abrigará o congresso, considerado a maior plataforma de negócios e geração de conhecimento do setor na América Latina. Desde sua primeira edição em 1982 (e exceto em 2020, quando foi totalmente virtual por causa da pandemia de Covid-19), o evento bianual tinha como palco o Riocentro, espaço da prefeitura que hoje está concedido à iniciativa privada.

Por questões de logística, os organizadores cogitaram transferir a feira para São Paulo, antes de bater o martelo pelo Porto Maravilha. Previsto no acordo com a Pier Mauá, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), organizador da feira, gastou cerca de R$ 1 milhão em adaptações para o imóvel receber expositores e palestrantes. A estimativa é que 40 mil pessoas circulem pelo Porto Maravilha nos quatro dias do evento, que terá cerca de 350 expositores.

O galpão foi reformado, e o piso, nivelado. Faltam ainda intervenções provisórias como a instalação de elevadores para deficientes.

— O Boulevard Olímpico é um local especial, recém-revitalizado. Vamos debater aqui temas importantes para o mercado energético, incluindo a descarbonização da economia (política de redução da emissão de gases do efeito estufa), que não é excludente a essa indústria — disse a diretora-executiva do IBP, Fernanda Delgado.

Ao todo, a feira ocupará um espaço de 34,5 mil metros quadrados, equivalente a cerca de um terço da área disponível nos seis pavilhões do Riocentro. Nesse cálculo, somam-se as áreas de três armazéns que ficam às margens da Baía de Guanabara e a do galpão do painel “Etnias”, que tem 17 mil metros quadrados distribuídos por dois andares. Esse espaço, que receberá os expositores agora em setembro, está longe do modelo definitivo planejado pela concessionária:

— Em 2023, vamos lançar um concurso para escolher o melhor projeto para o prédio, e a estimativa é que serão necessários R$ 50 milhões em reformas — explicou a diretora da Pier Mauá, Denise Lima.

A executiva disse que a ideia do centro de convenções começou a ser amadurecida com as obras de reurbanização do Porto Maravilha e o surgimento de novas atrações no entorno, como o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio, o AquaRio e a roda-gigante Yup Star Rio. Depois da Rio Oil & Gas, há outro evento já agendado para o prédio: a Rio Inovation Week, feira internacional voltada para as áreas de tecnologia e inovação.

Originalmente, o galpão reformado pelo IBP era um silo para a armazenagem de grãos de trigo. Nos últimos anos, no entanto, vinha sendo usado como estacionamento. O espaço tinha até um duto que o interligava ao prédio do antigo Moinho Fluminense (que está sendo convertido em um prédio misto, comercial e residencial), mas que foi demolido em 2016.

— O prédio terá que passar por adaptações na versão definitiva, como permitir dividir o espaço com estruturas móveis para atender a eventos de tamanhos distintos. Será necessário, por exemplo, abrir janelas e acessos ao público. Haverá interferências no painel, mas vamos discutir isso com Kobra (grafiteiro, autor do painel) — explicou Denise.

O presidente do Sindicato de Hotéis e Meios de Hospedagens (Sindhotéis), Alfredo Lopes, avalia que há espaço no mercado carioca de eventos para mais um centro de convenções. Ele não crê que o espaço da Barra será esvaziado com a nova área no Porto:

— O Riocentro tem o espaço dele. O Porto é uma alternativa. Ter mais um centro de convenções será importante para disputar feiras e outros eventos com São Paulo, que tem mais oferta de áreas — disse Lopes.

Em nota, a multinacional francesa GL Events, que administra o Riocentro, disse que o centro de convenções na Barra é o mais completo da América Latina. Segundo a empresa, a agenda de eventos de 2024 será comparável à de 2019, antes da pandemia. A concessionária ressaltou ainda que “torce para que a Oil & Gas recupere sua grandiosidade e volte a ocupar os seis pavilhões do Riocentro”.

Construído pela prefeitura para ser o principal centro de convenções da capital, o Riocentro foi inaugurado em 1977. Ao longo dos anos, acolheria alguns dos principais eventos da cidade, como a Conferência Mundial de Meio Ambiente (Rio-92) e parte das competições dos Jogos Panamericanos (2007) e dos Jogos Olímpicos de 2016. Em março de 2020, pavilhões foram convertidos em hospital de campanha para tratar pessoas com Covid-19.

— O Rio como destino turístico serve como atrativo para receber congressos e eventos similares. Ter mais um concorrente nesse mercado, se bem explorado, pode ser bom para a cidade. E a paisagem do Porto do Rio ainda é uma novidade para turistas — disse o presidente da Riotur, Bruno Mattos.

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