Feira online vai disponibilizar artesanatos indígenas neste fim de semana

Letycia Cardoso
Índia Tapixi Guajajara produz artesanato

RIO — As medidas restritivas para circulação no Rio de Janeiro em virtude do coronavírus impactaram os rendimentos tanto do comércio local, quanto de vendedores ambulantes. Os índios, por exemplo, que se sustentavam através da venda de artesanato nas ruas sofreram baixa brutal nos ganhos. Para fortalecer essas comunidades, o coletivo de marcas do Rio Retoke irá expor e vender produtos feitos pelas tribos na terceira edição da sua feira online. O evento será transmitido ao vivo pelo Instagram (@retoke), nos dias 23 e 24 de maio.

Entre os expositores está Luciana Parapoty, de 26 anos, que pretende vender balaios, brincos e pulseiras que confecciona a preços que variam de R$ 10 a R$ 50. Ela conta que, antes, vendia artesanato para turistas na loja de sua Aldeia, localizada em Maricá. No entanto, com as portas fechadas por causa da pandemia, tem sustentado as duas filhas pequenas com vegetais e legumes que planta em casa.

— Estou animada com a ideia da venda pela internet. Espero ter um bom retorno e, assim, comprar coisas que estão faltando em casa, como carnes e frutas.

A índia Tapixi Guajajara, de 33 anos, também está confiante para vender suas bijuterias e maracas online. Ela é a principal fonte de renda na casa onde mora com mais quatro pessoas, no bairro Estácio. Além disso, pretende enviar dinheiro para sua família, que vive em uma aldeia no interior do Maranhão, já que seus pais não têm conseguido trabalhar devido ao covid-19.

— Lá onde nasci, a aldeia está completamente fechada por causa da pandemia. E, aqui, a situação está complicada: não tenho dinheiro nem para pagar o condomínio onde moro, que custa R$ 180 — lamenta.

Nascida no Amazonas, Weena Tikuna, de 31 anos, vai vender roupas e biojoias feitas pela mão de obra local de sua comunidade. Para ela, a oportunidade é de divulgar a moda indígena contemporânea:

— Muita gente não sabe, mas as formas geométricas que usamos são repletas de significado e simbologia animal. Quero que as pessoas conheçam os meus grafismos!

Fundadora da Retoke, Marina Carneiro, de 36 anos, explica que a feira, em geral, cobra uma taxa fixa dos expositores de R$ 100, relativa a entregas, além de comissão de 10% por venda. Porém, para ajudar os índios, a tarifa inicial foi zerada, com a cobrança apenas de 15% sobre cada item comercializado.

— É muito importante que o consumidor apoie a economia local e o pequeno produtor. Além das vendas no nosso site, organizamos essa feira a fim de proporcionar visibilidade às marcas, para que elas consigam continuar de pé em meio à crise — comenta.

Os interessados em comprar os produtos expostos na rede social serão direcionados para o site da Retoke, onde poderão fazer a compra online e indicar o endereço de entrega. O diferencial em comprar durante a feira é contar com frete para Rio e Grande Rio.

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