Feira de tecnologia iraniana na Venezuela tem drones, vacinas e carros elétricos

Fabricantes de drones, máquinas de diálise, carros elétricos e vacinas anticovid: um total de 79 empresas iranianas se apresentam a partir desta sexta-feira (16) em uma feira em Caracas, visando ingressar no mercado da Venezuela, alvo de sanções internacionais.

“É preciso aproveitar que temos aqui os chefes das empresas mais poderosas dos campos científico, tecnológico e industrial do Irã, para conseguir acordos”, disse o presidente venezuelano Nicolás Maduro na inauguração um dia antes do evento, que também conta com a presença de empresas venezuelanas.

O Irã é um dos principais aliados da Venezuela. Maduro visitou Teerã em junho durante uma turnê internacional em que firmou um acordo de cooperação energética e de defesa. Os dois países enfrentam duras sanções dos Estados Unidos.

"Sabemos como ignorá-las", disse à AFP SM Moosavi, gerente de negócios da Barsi, fabricante de aeronaves não tripuladas. "Posso comprar qualquer coisa, em qualquer lugar e vendê-la onde quiser. Há limitações, mas também portas traseiras."

Os drones que produz “podem ser destinados a uso civil ou governamental, para vigilância, monitoramento, para levantar mapas”, continuou o executivo, que apontou que esses veículos podem ser adaptados com armas ou sistemas de irrigação para a agricultura. “Podemos criar uma linha de produção na Venezuela, uma de nossas metas é vir para cá.”

Vahid Oraei, vice-presidente da Arya Teb, que produz equipamentos para hemodiálise, afirmou que a empresa fez “uma oferta ao governo (venezuelano) para substituir 1.000 máquinas no Ministério da Saúde”, que está em crise há anos. Duas máquinas ficarão no país para testes.

Dezenas de pessoas, entre eles funcionários públicos e estudantes, estiveram em um centro de eventos de Caracas para ver a exposição, que vai até segunda-feira. A feira abrange desde medicamentos até um pequeno veículo lunar, passando por peças de maquinário pesado e animais como búfalos e cabras.

Duas farmacêuticas promoviam ainda suas vacinas contra a covid-19, que não estão autorizadas na Venezuela.

“Um dos objetivos que temos é fornecer essa vacina como dose de reforço, pois é muito segura”, disse Shayan Sheykholeslami, diretorar da Cinna Gen, um dos laboratórios.

O carro elétrico chamou atenção, com visitantes perguntando detalhes em um país onde essa tecnologia ainda não foi adotada.

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