Felipe Neto bate ibope de emissoras com live, mas não pensa em TV: ‘Trocaria toda a audiência de 2020 pelo fim do vírus’

Carol Marques
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De vídeos caseiros gravados num quartinho no subúrbio carioca a um canal com 41 milhões de seguidores, muita coisa já aconteceu na vida de Felipe Neto. Aos 15 anos, o adolescente já achava que a Internet iria bombar no futuro e que daria a ele a “grana” que precisava para melhorar a vida da família. Fez de tudo um pouco nese nicho, de design a administrador de um site que baixava séries pirateadas. O mundo digital se abria e ainda havia muito a ser explorado. Passadas quase duas décadas, Felipe não só acertou a previsão — e ganha muito dinheiro — como atingiu marcas que ele sequer poderia imaginar.

Na última sexta-feira, 18, o comunicador digital estabeleceu uma nova marca no YouTube ao jogar o último episódio da temporada da saga Minecraft, jogo que Neto transformou numa febre no Brasil. Ele contabilizou 600 mil pessoas simultâneas, estabelecendo o novo recorde de uma live de entretenimento do país, alcançando no Ibope números de TV aberta. Ele conquistou o quinto lugar, somando 3.2 pontos, ao contabilizar 240 mil domicílios conectados em sua live. A Globo ocupou a primeira posição, seguida da Record, SBT e Band. A RedeTV! ficou na sexta posição.

Orgulhoso? Claro. Felipe, no entanto, faz outro balanço de 2020. “Esse foi um ano muito difícil de se analisar, porque é difícil comemorar num cenário como o que estamos vivendo. Porém, a verdade é uma só: esse foi um ano absolutamente incrível para toda empresa ligada à produção de conteúdo e que lida com audiência. As pessoas ficaram em casa e consumiram muito mais. Agora, como comemorar isso? Eu trocaria, de bom grado, toda a minha audiência em 2020 pelo fim do vírus, mas infelizmente não tenho essa opção”, avalia.

Em várias fases, Felipe ficou na mira das emissoras de TV. Algo que não o seduziu nem mesmo num período de incertezas. “A TV aberta segue com uma força enorme e não sofre ameaça de ‘acabar’, como alguns alarmistas sugerem. O que está mudando é o formato. Os executivos já entenderam que o futuro está no conteúdo digital, não mais na grade de programação. Hoje a TV, em seu formato tradicional, não me seduz, até pelos números que a gente vem conquistando no meu canal”, pondera.

Felipe também não tem ambições de se transformar ele próprio num dono de emissora nos moldes conhecidos. “Não faria sentido ir na contramão do futuro. Hoje, o meu canal é uma emissora, apenas é totalmente diferente do que nós nos acostumamos a enxergar como emissora”, justifica.

Por mais inebriante que sejam os números conquistados ao longo de 2020, Felipe Neto faz uma observação sobre o mundo digital. “ O que eu sinto que precisa ser feito é: as empresas e influenciadores que se ‘beneficiaram’ no período de pandemia deveriam destinar parte de seus lucros para a luta contra o vírus ou outras iniciativas sociais. Eu estou investindo pesado na criação do instituto Vero de educação digital, utilizando parte significativa dos lucros que tive ao longo de 2020 com a pandemia. Nós lucramos com um vírus que matou milhões de pessoas, não é possível que isso não pese na consciência dessas pessoas. Precisamos devolver, precisamos fazer alguma diferença”, analisa o youtuber, que faz uma leitura otimista do ano que vem: “Quanto a 2021, as expectativas, pelo menos da minha parte, são positivas. A vacina tem tudo para reestabelecer a normalidade e só isso realmente importa nesse momento”.