Felipe Neto deu o que falar do início ao fim de 2020: 'Nunca imaginei que seria relevante'

Isabella Cardoso
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Foto: FABIO MOTTA

Para o bem e para o mal, 2020 foi de grande repercussão para Felipe Neto. Na mesma proporção em que suas ideias ganharam projeção, furando a bolha da internet, o influenciador se viu alvo de críticas pelo que falou e fez, e pelo que inventaram sobre ele.

A última polêmica envolvendo seu nome aconteceu na noite de segunda-feira, quando Felipe foi flagrado numa partida de futebol com amigos, em meio à pandemia da Covid-19. Horas depois, ele se pronunciou: “Errei. Decidi jogar um último futebol do ano. Como goleiro, indo e voltando de máscara, sem contato com ninguém e passando álcool em tudo. Ainda assim, é um erro. Não cometerei novamente até a vacina. Peço perdão pelo mau exemplo”.

Dos momentos positivos nos últimos 12 meses para sua carreira, o carioca de 32 anos teve a entrevista ao “Roda viva”, da TV Cultura; a divulgação de seu vídeo criticando o presidente Jair Bolsonaro pelo jornal americano “The New York Times”; e ter entrado na lista da revista “Times” como um dos cem mais influentes do ano.

— Eu falo e luto pelo que acredito, mas nunca imaginei que seria relevante — afirma Felipe, que diz ter como meta entreter gente das mais variadas faixas etárias: — Meu trabalho é fazer vídeos divertidos para a família toda, desde a criancinha até o idoso. Essa é a minha principal função e o que eu mais amo fazer.

Pioneiro na internet junto ao público infantojuvenil, o youtuber ganhou maior visibilidade, no entanto, quando passou a se manifestar enfaticamente sobre política, junto aos adultos:

— A maturidade nos traz mais serenidade e conhecimento. Minhas opiniões foram evoluindo junto com o estudo, e mais gente se engajou. Além disso, há poucos influenciadores se posicionando no Brasil. Não comecei a ser muito compartilhado por ser mais inteligente, mas sim porque muita gente se calou.

Uma das resoluções de Felipe Neto para 2021 é intensificar as ações de seu Instituto Vero. A organização sem fins lucrativos tem o objetivo de disseminar a educação digital entre os brasileiros, lutando contra a desinformação e a articulação do ódio. E ele age com conhecimento de causa: durante todo o ano, se viu vítima de fake news, que, inclusive, ligaram seu nome à pedofilia. Em julho, foi ameaçado por homens num carro de som em frente à sua casa. Apesar dos ataques, Felipe segue firme.

— Não sou herói nem especial. Guerreiro é quem acorda às 5h30 e pega dois ônibus lotados para ir trabalhar, a fim de pagar as contas e sobreviver. Sou um privilegiado e não posso reclamar das minhas dificuldades — afirma, completando: — Lidar com essa pandemia tem sido extremamente desgastante para todo mundo que se preocupa com a vida. E ainda ter que viver sob um governo que nega a ciência é realmente destruidor. Sinto que demos importantes passos contra a desinformação e a articulação do ódio. Ainda há um longo caminho pela frente, mas nós vamos vencer.

Números grandiosos

O influenciador digital contabiliza 41 milhões de inscritos em seu canal no YouTube e bateu 3.6 bilhões de visualizações só em 2020. Mas é no Twitter que ele mais se posiciona.

— Ali, foco num público mais velho, mais criterioso e com maior bagagem de estudo e leitura. A minha responsabilidade é enorme em diferentes áreas — assume.

Acordo

Este mês, Felipe assinou um termo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em que se comprometeu a revisar todo o conteúdo de seu canal conforme a faixa etária.

— Trato com muita seriedade a minha obrigação de não atrapalhar ou prejudicar a educação de quem quer que seja. Tento ao máximo levar conteúdos positivos para quem me assiste — argumenta.