Feminicídio na Maré: 'Tinha um coração enorme', dizem amigas de jovem morta em baile funk

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RIO — Alegre, querida e de coração enorme, uma amiga que não media esforços para ajudar quem precisasse: assim a jovem Débora Adelino Conceição foi descrita e lembrada pelas amigas de escola, que preferiram não se identificar, e que a homenageavam usando camisas com fotos dela durante o velório na manhã desta terça-feira. A jovem de 20 anos foi morta pelo namorado, no último domingo, na saída de um baile funk na Maré, na Zona Norte do Rio.

— Pela quantidade de gente aqui já dá para ver que ela era muito querida — disse uma delas, em referência às dezenas de pessoas que acompanhavam o velório na manhã desta terça-feira.

Outra amiga completa:

— Ela tinha um coração enorme. O que ela poderia fazer para ajudar, ela fazia!

E outra lamenta:

— Não merecia isso, a forma como tiraram ela da gente. Era uma menina alegre — descreve e lembra a amiga.

Dezenas de parentes e amigos se despediram da jovem no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador, nesta terça-feira. Débora foi assassinada a tiros por Patrick Jorge de Assis, de 19 anos, com quem namorava. Eles discutiram na saída do baile funk da Vila do João, no Complexo da Maré, no último domingo, quando o rapaz fez os disparos. A irmã de Débora, uma adolescente de 16 anos, também foi baleada e está internada em estado grave no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.

Débora terminou a escola quando estava grávida, e segundo as amigas, foi até o final do Ensino Médio sem desistir dos estudos mesmo com as dificuldades da gravidez. Ela deixa um filho de 3 anos de idade, que está aos cuidados do pai.

Durante o enterro, amigos e parentes homenagearam a jovem com camisas que tinham estampas de fotos dela e textos sobre saudade. Na frente, a imagem de Débora com a mensagem “As boas lembranças que tenho de você sempre vão secar minhas lágrimas e me fazer sorrir”. No verso das blusas, as frases: “Qual o nome da sua saudade? A minha é você, Débora”.

A Delegacia de Homicídios (DH) investiga o feminicídio contra Débora e o suposto homicídio contra Patrick — segundo a polícia, traficantes da favela teriam o capturado e executado. Ainda não há informações sobre o corpo do homem. A Polícia Civil afirma que realiza diligências em busca de informações sobre o caso, que testemunhas são ouvidas e que a delegacia aguarda os laudos das perícias. De acordo com a Polícia Militar, "não houve ocorrência a cargo do 22ºBPM (Maré) envolvendo a situação".

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