Feminicídio: revolta e indignação no enterro da técnica de enfermagem assassinada

O corpo da técnica de enfermagem Rita de Cássia Nogueira Matias Santos, de 28 anos, assassinada brutalmente pelo namorado, o estudante de enfermagem Iago Lace Falcão, de 26 anos, foi sepultado na manhã desta quinta-feira (17), no Cemitério Municipal de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Iago confessou o crime na Delegacia de Homicídio, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, mas não foi preso por não haver flagrante. Durante o enterro, familiares e amigos compartilhavam o sentimento de revolta e indignação com o caso. Durante a cerimônia, gritaram por justiça e para que esse caso não seja mais uma estatística.

— Nós queremos justiça, só isso. Ela pode não ter sido a primeira e também pode não ser a última. Ele está aí, está solto — falou Ana Beatriz dos Santos, cunhada da vítima.

O corpo de Rita de Kássia foi encontrado na terça-feira (15) em uma casa abandonada, em Bento Ribeiro, Zona Norte do Rio, que seria da família do namorado com quem mantinha um relacionamento havia pouco mais de um mês. Ela estava desaparecida há dois dias.

— Ela escapou da Covid cinco vezes para agora esse demônio, esse covarde, fazer isso com ela — disse Raquel da Silva Alves, madrasta de Rita, inconformada com o fato de o suspeito ainda estar livre.

— Além dessa lei podre, tem algo a mais. Eu estive na delegacia e a detetive questionou se alguém tinha puxado a ficha dele. O inspetor falou que estava no arquivo, mas ela olhou e não tinha nada. Eu vi que uma das passagens dele era um acidente de trânsito com vítima e ouvi da boca dela que isso era suficiente para ele ter ficado na delegacia — disse.

Jéssica Nogueira, uma prima da vítima, disse que a família está devastada.

— A gente está à base de calmante. A gente nunca imagina que vai ser com a gente. A gente vê, a gente chora, mas a gente nunca acha que vai estar usando uma camisa de uma pessoa querida com uma frase que ela gostava — afirmou Jessica.

Parentes contaram que a jovem foi encontrada com sinais de enforcamento e estava com mãos e pés amarrados. O crime teria ocorrido num hotel. Imagens de uma câmera de segurança mostram Rebecca entrando no carro com Iago. De acordo com Igor Ferreira, ex-namorado da vítima, os sinais de violência no corpo eram evidentes.

— A gente não pôde fazer um enterro digno para a Rita. Não tenho palavras para descrever o quão cruel ele foi. Eu vi sinais de brutalidade, ele arrancou o piercing do peito (dela), torturou, fez muita maldade com ela. O delegado de plantão, que foi omisso, tinha indícios materiais suficientes para pedir a (prisão) preventiva daquele desgraçado, assassino, monstro, estuprador — revoltou-se Igor.

Companheiras de trabalho fizeram um protesto durante o enterro com cartazes em repúdio ao crime. Uma vizinha resumiu o sentimento de todos.

— Por favor, autoridades, queremos justiça. Não só pela Rita, mas por todas as outras que ainda têm vida — pediu.