Feminicídio: 30% das brasileiras já sofreram ameaça de morte de parceiro, segundo pesquisa

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Women perform at Avenida Paulista, downtown São Paulo, this Sunday, March 8, International Women's Day. Thousands of women from all over the world take to the streets to protest for equal rights, for the end of gender violence and feminicides, against rape, for labor guarantees and reproductive rights, among other feminist agendas. March 8, 2020.  (Photo by Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images)
Marcha pelo Dia Internacional das Mulheres em São Paulo, em 8 de março de 2020. Foto: Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images.
  • De cada seis que sofreram ameaças, uma sofreu tentativa de assassinato

  • Maioria dos brasileiros compreende bem o conceito de feminicídio

  • 41% dos entrevistados conhecem um homem que já ameaçou a companheira

Uma pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva com apoio do Fundo Canadá mostrou a extensão do problema da violência doméstica e do feminicídio no Brasil. Entre as entrevistadas, 30% afirma já terem sido ameaçadas de morte por companheiros, das quais 1 em cada 6 já sofreu tentativa de feminicídio.

A pesquisa "Percepções da população brasileira sobre feminicídio" levantou também dados sobre as providências tomadas por essas vítimas: 57% relatou ter terminado o relacionamento, 37% denunciou à polícia e 12% não fez nada a respeito.

Enquanto isso, 41% dos ouvidos contaram que conhecem um homem que já ameaçou de morte a atual ou ex-parceira. Essas revelações podem explicar por que a maioria dos brasileiros (90%) avalia que mulheres correm maior risco de assassinato dentro de suas casas, nas mãos de parceiros ou ex-parceiros, de acordo com o levantamento.

A pesquisa foi realizada com 1.503 pessoas (1.001 mulheres e 502 homens), com 18 anos de idade ou mais, entre 22 de setembro e 6 de outubro de 2021, em todo o Brasil. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.

"Se fizermos uma projeção, são mais de 25 milhões de brasileiras ameaçadas e quase 14 milhões que já foram vítimas de tentativa de feminicídio”, afirmaram os autores.

Em 2020, o número de vítimas de feminicídio chegou a 1.350, um aumento de 1% em relação a 2019 e um recorde brasileiro, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Percepção sobre feminicídio

O termo feminicídio é compreendido por 90% dos brasileiros, segundo a pesquisa. Além disso, a maioria (93%) também entende que a ameaça de morte é uma forma de violência psicológica tão ou mais grave que a violência física.

Além disso, a grande maioria (97%) compreende que mulheres que estão em relacionamentos violentos correm o risco de serem mortas pelo parceiro. E mais: 87% afirmaram que terminar a relação é a melhor forma de acabar com o ciclo da violência doméstica e evitar o feminicídio.

A percepção de 93% das mulheres é que o feminicídio aumentou nos últimos cinco anos, noção compartilhada com 77% dos homens.

A maioria dos entrevistados (86%) considera que esses crimes têm se tornado mais cruéis e violentos. Esse cenário é agravado quando há uma arma de fogo na casa para 90% das mulheres e 80% dos homens.

Atribuição da culpa

Apenas 65% dos entrevistados consideram que o homem que comete feminicídio é o responsável pelo crime e deve ser punido, enquanto culpam o homem e a mulher e 3% culpa a mulher pelo feminicídio.

De forma parcial, um terço das pessoas atribui a culpa do feminicídio à mulher que é morta pelo parceiro ou ex-parceiro.

Já em relação à punição, só 25% acreditam que a maioria dos homens que ameaçam suas parceiras ou ex-parceiras são punidos na maior parte das vezes.

Por outro lado, 95% acredita que testemunhas de ameaças contra mulheres devem denunciar, mesmo que 79% concorde que muitos policiais não acreditam na seriedade da denúncia de ameaça.

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