Fenômeno no streaming, PK defende letras explícitas: 'A putaria é libertadora'

Silvio Essinger
O rapper carioca PK

RIO — Uma das músicas mais conhecidas de 2019, com cerca de 165 milhões de reproduções no streaming, não toca nas rádios — ao menos, não na versão original, explícita, que a tornou famosa. Uma ode aos descontroles do sexo, com detalhes nunca antes vistos (nem ouvidos) na MPB e uma notável fluidez nos versos recheados de palavrões, “Quando a vontade bater” pegou muita gente de surpresa nas festinhas Brasil afora. E colou.

Lançada em março, com versos grosseiros como “Quando a vontade bater, vou chamar pra f***/ Daquele jeito que tu gosta”, a música foi a primeira da carreira solo do rapper carioca PK . E não só isso: ela fez do ex-integrante do grupo Class A Pedro Henrique Bendia um dos mais avassaladores fenômenos do streaming brasileiro, com 4,6 milhões de ouvintes mensais no Spotify — além de atração do festival Lollapalooza 2020 , no mês de abril , em São Paulo, ao lado de WC No Beat, Ludmilla , Kevin O Chris , Haikaiss , Filipe Ret e Felp 22.

Ele conta que a gravadora Warner (que o contratou na época do Classe A) teve receios quanto à letra explícita demais de “Quando a vontade bater”. Mas se a rádio estava descartada, a música logo achou seu caminho no streaming e no YouTube.

— A internet ajuda bastante. Se fosse em outra época, eu seria censurado e aí, como iria fazer? Não teria voz — lamenta o rapper, que, na rede, não escapa, porém, das críticas e dos haters. — Tem muita gente pra julgar e falar mal, mas graças a Deus a maioria esmagadora está a meu favor. A gente fala a realidade sem hipocrisia. Todo mundo faz sexo, todo mundo gosta disso, não tem jeito, independentemente de orientação sexual. A putaria é libertadora. Se me pedirem a versão light para a rádio, eu vou fazer, mas a explícita tem que acontecer, tem que ter a sinceridade total.