Feriado? Baixada Fluminense tem sexta-feira comum, com transporte lotado e aglomerações

Flavio Trindade
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RIO - Nada mudou na Baixada Fluminense no primeiro dia do fim de semana em que diversas cidades estão implementando restrições na tentativa de frear o aumento do contágio da covid-19. Seja em municípios onde foram publicados decretos restritivos com antecipação de feriados ou não, a sexta-feira foi um dia comum, com comércios cheios, filas de banco com centenas de pessoas e muita, muita aglomeração nos centros comerciais, com diversos flagrantes de pessoas não usando máscaras e sem qualquer preocupação de distanciamento social.

No limite dos municípios de São João de Meriti e Rio de Janeiro, o movimento de pessoas era intenso tanto do lado do bairro da Pavuna, tanto quanto do lado da Baixada Fluminense. O comércio funcionava a todo vapor e algumas lojas estavam com capacidade de clientes acima de 50% como determina o decreto municipal. Do mesmo jeito, o transporte público, apesar da proibição, o que mais se via era o transporte de passageiros em pé nos ônibus.

Moradora de São João de Meriti e que trabalha no Rio de Janeiro, a cuidadora Telma Oliveira, de 60 anos, relatou não ter visto diferença no trajeto que percorre normalmente e preferiu pegar um uber para evitar aglomeração no transporte público.

- Está um dia normal. Tudo aberto, as pessoas andando na rua, ninguém obedece nada não. Saí do trabalho vim para casa e não vi nenhuma diferença para os demais dias – disse.

Em Nilópolis, assim como em Meriti, hoje entrou em vigor um decreto com antecipação de feriados e limitação de circulação de pessoas e atividades coletivas. Mas no centro do município, a movimentação seguia como se fosse um dia normal, com o calçadão cheio e filas gigantes na porta de um banco.

A dona de casa Marlene Nunes ironizou a decretação de feriado. Depois de encarar o trem cheio, ela aguardava pelo ônibus no centro de Nilópolis enquanto lamentava o fato de as pessoas estarem se aglomerando.

- Hoje é feriado? Só se for lá na prefeitura. Aqui é só dar uma olhada ao redor. Tudo funcionando normalmente, você vê gente sem máscara, umas perto das outras. O governante tem muita culpa por todo esse problema, mas a população também não ajuda. Todo mundo sem obrigações e precisa sair, mas não demonstram um cuidado em ficar distantes e se cuidarem. Muito triste.

Ao seu lado, a aposentada Ana Minto, de 86 anos corroborou tudo que a colega disse, mas reclamou da falta de fiscalização para cumprimento das ordens da prefeitura da cidade.

- De que adianta ter decreto se não tem ninguém para fiscalizar. Os ônibus estão passando aqui lotados. As lojas estão cheias. Se ninguém vir olhar, as pessoas desobedecem mesmo. Tem de apertar a corda – pediu.

E se nos municípios onde decretos de restrições entraram em vigor, nos onde não foi publicada nenhuma legislação impeditiva, a situação era igual, ou até pior. Em Belford Roxo, onde o prefeito Waguinho reiterou em decreto que não haveria antecipação de feriados ou fechamento de comércio, mais de 100 pessoas aguardavam para entrarem numa agência bancária no centro. A fila atravessava a rua e se estendia por pelo menos 300 metros pela calçada.

A técnica de Enfermagem Samile Sena lamentava a falta de organização na cidade e também ausência de cuidados das pessoas em se aglomerarem na fila e não manifestarem preocupação com o distanciamento social.

- Eu não sei em que mundo essas pessoas vivem. É notícia de milhares de mortos todos os dias em tudo quanto é noticiário e ninguém parece estar nem aí. É como se não estivesse ocorrendo nada. A prefeitura aqui é desorganizada e não está preocupada em fechar nada mesmo. Mas a população poderia agir melhor. Quem não entende os números do país, é só olhar as ruas. Olha a resposta aí – afirmou.

Assim como em Belford Roxo, em Duque de Caxias, centenas de pessoas circulavam sem aparentar a menor preocupação no calçadão de Duque de Caxias e lotavam o comércio, principalmente as lojas que vendiam produtos para a páscoa. Na porta de algumas lojas, vendedores que utilizam microfones para atrair clientes, repetiam o bordão do prefeito Washington Reis: “Em Caxias nada fecha”.