Fernanda Gentil volta ao ‘Se joga’ e admite fase difícil com a mulher na quarentena: ‘Passamos perto da estatística das separações, mas conseguimos evitar’

Naiara Andrade
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O copo (americano, é bom assinalar) de Fernanda Gentil está sempre cheio. De café e otimismo. A bebida, na qual diz ser “viciada”, estimula ainda mais o jeito elétrico, falante e divertido dessa carioca de 34 anos — ela garante que só sono e fome são capazes de minar seu cotidiano bom humor. Até a quarentena imposta pela pandemia da Covid-19 ela enfrentou de cabeça erguida, trocando tédio por solidariedade. Quando lembra os dias em que ficou abatida pelo coronavírus e isolada num quarto em casa, longe dos filhos Gabriel, de 5 anos, e Lucas, de 13, e da mulher, Priscila Montandon, de 38, em dezembro, a jornalista diz que não tem nada a reclamar, só a agradecer. “Nunca foi tão difícil ser otimista, mas estou aqui firme e forte. É o que me move, deixa o estresse mais leve, encurta o tempo do luto, suaviza os problemas... Eu tenho muito orgulho de ser assim e procuro, conscientemente, cultivar isso”, afirma.

Também foi a crise mundial de saúde que tirou do ar, em 16 de março do ano passado, o “Se joga”. A atração, então vespertina e diária, apresentada por Fernanda, Érico Brás e Fabiana Karla, ficou apenas cinco meses e meio na grade de programação da Globo, a contar da data de sua estreia, em meio a críticas e ajustes. Agora, com a retomada das gravações nos estúdios da emissora, o programa está prestes a voltar, todo reformulado: a reestreia acontece em 6 de março, um sábado, na faixa de horário das 15h às 16h, com exibições semanais. Nessa nova temporada, Fernanda assume sozinha a apresentação e os quadros principais, enquanto Érico cuidará da reportagem. Fabiana deixa o elenco, para se dedicar a outros projetos da casa, como o especial “Falas femininas”, a ser exibido em 8 de março.

O #nossosinal, código que a apresentadora mantém com seus fãs e seguidores das redes sociais (são seis milhões deles no Instagram e 1,2 milhão no Twitter), desde os tempos em que apresentava programas esportivos, permanece como sua marca no “Se joga”. A brincadeira é um dos assuntos que Fernanda comenta nesta entrevista exclusiva à Canal Extra, em que também fala com seriedade sobre preconceito e “cancelamento”, tema da vez entre os famosos, principalmente entre os que acompanham o “Big Brother Brasil 21”, como ela: “Nesta edição, em especial, eu tenho pensado mais do que nunca em mim lá na casa”, entrega.

Fernanda lista 5 momentos da vida em que se jogou sem medo:

1 - Me joguei nas coberturas esportivas de que participei. Foram momentos muito importantes da minha carreira e eu me joguei de cabeça.

2 - Me jogo todo dia no amor pelos meus filhos, de maneira cega, incondicional, infinita e mais intensa possível.

3 - Me joguei quando assumi meu namoro com a Priscila, o amor da minha vida. Foi com coragem, fé e total certeza de que não estava fazendo nada de errado, estava amando loucamente.

4 - No “Se joga”, meu primeiro projeto no entretenimento.

5 - Na minha peça, assim que eu saí do esporte. Lotamos todas as sessões no Brasil inteiro, por onde a gente passou, fizemos sessões extras em várias cidades. Me joguei num palco, o que eu nunca tinha feito; numa função que não é a minha, não sou atriz; num monólogo escrito por mim, contando a história da minha vida. Me joguei sem cerimônia.

Confira abaixo a entrevista completa com a apresentadora

O “Se joga” passa a ser semanal, aos sábados. O conteúdo está muito diferente do que era até então?

O programa volta totalmente repaginado. Muda não só dia e horário, mas também tempo de duração e formato. Esse tempo que a gente ficou fora do ar serviu para ajustar muita coisa. A gente vem com a proposta de entrevistas diferentes, estamos investindo em dinâmicas divertidas, criativas, o que pede um sábado à tarde. O “Se joga” é multigeracional, para a família toda. Vai mostrar bastante os bastidores da Globo, que é um conteúdo de que o público gosta, gera muita curiosidade. Erros de gravação, spoiler de novela, brincadeiras com personagens, atores e atrizes... A gente vem com essa proposta de se aproximar ainda mais do público.

Você vai apresentar o programa sozinha, no estúdio, agora. Por que decidiram por essa configuração?

Eu estou fazendo estúdio, o Érico está com a reportagem. Eu também tenho quadros gravados, mas ele está mais com essa parte de externa. No novo estúdio, é uma linguagem mais intimista, mais próxima, mais conversada. Estamos trabalhando essa maneira de falar com o público, o que para mim me agrada muito, é natural, eu gosto de fazer. Estou participando desse projeto criativo desde o início, escrevendo, sugerindo, participando da reunião de pauta... Está bem gostoso. Estou curiosa e ansiosa pra reencontrar o público, que vem com essa proposta intimista. Eu não acredito num trabalho em que eu só chegue ao estúdio para ler TP (teleprompter), muito pelo contrário. O vídeo é só a ponta do iceberg. Mas a base desse iceberg é muito rica, muito interessante.

E agora a Fabiana Karla não está mais com vocês... Por quê?

Pois é. A pandemia foi muito reveladora para todo mundo, em relação a reflexões que a gente fez, dons que a gente descobriu. Então, a Fabi se envolveu num projeto que ela está adorando fazer, o “Falas femininas”. Para ela está sendo superinteressante. O Érico também está na reportagem porque mandou muito bem no quadro do “É de casa”, então a direção abriu o olho, acha que ele se encaixa muito nesse formato. E ele curte fazer. Então, a pandemia foi esclarecedora para todo mundo em várias áreas, e pra gente não foi diferente. A Fabi foi para outros projetos, e a gente vai fazer esse crossover dentro do “Se joga” com o “Falas”, então ela vai estar ali com a gente dando o ar da graça, abrilhantando como sempre, divertindo a gente.

O que você pode adiantar sobre os quadros do programa?

Eu estou bem apegada a essa parte das entrevistas com o público. A gente conseguiu umas dinâmicas bem divertidas para falar com os famosos, entreter. Tem quadro que mexe com a memória afetiva com fotos e vídeos, sugestão minha. Tem quadro em que a gente conecta o fã ao ídolo, é o próprio fã que tem a chance de entrevistar quem ele gosta. Tem a minha visita à casa dos famosos de uma maneira adaptada, de acordo com os protocolos: jogos, perguntas e respostas, curiosidades deles cotidianas. Tem quadro para homenagear a carreira dos artistas. E tem um que sou eu e o povo conversando sobre os assuntos da semana. É para opinar mesmo, o povo dando sugestão... E eu adoro estar com a galera, no meio do povão, por mais que a gente não possa aglomerar agora.

A primeira temporada do “Se joga” foi alvo de críticas, teve questões com a audiência, muita gente pediu a volta do “Video show”. Como você lidou com essas adversidades?

É impossível a gente estrear um produto em rede nacional, numa emissora como a TV Globo, e não gerar nenhum tipo de rejeição ou crítica. Qualquer mudança incomoda, qualquer novidade é digna de desconfiança. Isso é do jogo. A gente entrou na faixa horária de um programa que tinha 30 anos de vida. Não respeitar isso seria ignorância minha. Eu tenho humildade de reconhecer que sou, inclusive, uma das órfãs do “Video show”. Eu não gosto de generalizar. Não acho que o programa era de todo ruim. Teve muito o que aprender, sim. E ensinou muita coisa pra gente. Acho que a crítica é do jogo, eu respeito todas as que são construtivas. As que vêm com ódio, pra mim, são ignorância. Entram por um ouvido e saem pelo outro. Mas acho que a gente teve, sim, muito o que aprender, e aprendeu. O jogo estava gostoso de jogar, sabe? Televisão é isso. A gente entrou no horário de um programa com 30 anos de vida, em que a concorrência tem os seus méritos, e no finalzinho, quando a pandemia começou a esquentar, a gente também estava esquentando. Estava uma briga gostosa: a gente ganhava num dia, perdia em outro, empatava no seguinte... Até engrenar mesmo, muita coisa demora.

Muita gente enxergava no trio de apresentadores a diversidade, a representatividade: a gorda, o negro, a gay. Foi essa a intenção?

Dizer que a gente, cada um com suas características, representava o povo brasileiro, que havia essa diversidade, não é mentira. Mas não acho que isso foi pensado, proposital. Não houve esse papo, oficialmente. Até porque o programa não nasceu com nós três. As coisas foram acontecendo. Eu saí do esporte, comecei a fazer os pilotos, depois o Érico veio, comecei a treinar com ele e várias outras pessoas; a Fabi foi uma gratíssima surpresa, nos 46 do segundo tempo, mas super se encaixou. E foi acontecendo.

No ano passado, você substituiu Fátima Bernardes no “Encontro”, não ficou totalmente longe dos Estúdios Globo... Mas esse retorno agora é diferente, dá a ansiedade do novo?

A melhor coisa da pandemia foi eu ter conseguido fazer um trabalho no “Encontro”. Hoje (no último dia 12) foi meu primeiro dia oficial de gravação lá (para o “Se joga”), já tinha feito algumas coisas remotas, de casa. Mas hoje fiz chamadas, tiramos fotos, testamos uns quadros... Dá uma esperança de que a vida está começando a voltar ao normal, mesmo que seja o “novo normal”. Só de chegar lá e ter o compromisso de passar por maquiagem, figurino, estar com a equipe que eu só via on-line, debater ideias, ver texto... É muito gostoso. Estou muito animada para retomar a rotina. Trabalhar é parte fundamental da minha vida. Eu não tenho um cronograma fixo. Penso gravar de três a quatro dias por semana e ao vivo no sábado.

Você teve Covid, em dezembro. Foi uma experiência assustadora ou conseguiu se recuperar com tranquilidade?

Perto do que a gente sabe que pode acontecer, eu não posso reclamar de nada. Fiquei em casa, tive acompanhamento médico, fui bem disciplinada com os remédios. Mas sempre é um susto. O vírus que você vê matando meia humanidade está dentro de você, não dá para saber o que vai acontecer. Acho que o meu pior sintoma foi a cabeça. A gente fica refém da ansiedade. Mas, graças a Deus, passei por isso sem grandes sustos, e agora estou fazendo os exames de check-up para ver algum tipo de sequela e continuar cuidando da saúde. Eu não me vacinei e, mesmo tendo pego Covid, estou vivendo como se não tivesse, porque aqui em casa ninguém pegou, além de mim, e eu não vou viver livre, leve e solta, trazendo riscos para eles. Desde o início, para tentar fazer a minha parte, eu procurei ajudar quem podia, abraçar causas que achava importante. É muita tragédia, tristeza que está longe de acabar. A onda passa e deixa estragos.

Qual foi o lado positivo dessa experiência traumática da pandemia?

Eu vivo muito o lema de fazer do limão uma limonada. O lado positivo disso tudo foi a convivência mais próxima. Eu nunca imaginei passar esse tempo todo com a minha família, principalmente com os meus filhos. Eu que trabalho tanto, viajo, foi um período em que eu pude acompanhar muito da vida deles, muita troca com a Priscila. Falando da vida real, também foi difícil, essa convivência toda traz alguns estranhamentos também. A gente começa a ter tempo para implicar mais, amar mais, entender mais, criticar mais, porque está em casa o tempo todo. Mas foi muito rica essa troca e a gente está muito mais fortalecido como família. Passamos perto da estatística das separações, mas conseguimos evitar (risos).

Descobriu algum talento nesse período?

Eu virei gamer! Sempre gostei de jogar videogame, mas agora eu fiz meu canal, estou transmitindo as minhas lives, tenho uma cadeira de profissional. Quem tem aquela cadeira é outro patamar (risos)! Esse hobby tomou uma outra proporção na minha vida e virou um ponto de encontro meu com as crianças. É nosso momento de bater papo, rir, trocar. Mas o que eu descobri mesmo na quarentena é que eu não sei cozinhar. Mesmo. Dei uma insistida no início, fiz uma crepioca, fiquei feliz e já parei.

E manteve o foco nos exercícios físicos, a gente vê pelos vídeos de treinos que você publica nas redes. Não engordou, como a maioria dos mortais?

Foi muito louco isso: eu emagreci cinco quilos no início. Eu sempre pratiquei muito esporte. Por isso, inclusive, que trabalhei tanto tempo com isso. Eu preciso me movimentar. Para mim, isso sempre foi sinônimo de cuidar da saúde. A boa forma não é o foco, mas a consequência. Então, a gente adaptou para os exercícios físicos em casa. E agora sigo fazendo bem cedo na praia, para evitar aglomeração. Não estou com coragem para voltar para a academia ainda.

Entrou em 2021 fazendo mudanças pontuais no seu cotidiano?

Foi uma mudança muito mais mental, espiritual e religiosa do que física. Eu já rezava, mas agora praticamente tenho feito salas de Zoom com o povo lá de cima. Tenho conversado muito com Deus para agradecer, principalmente. Passei a valorizar ainda mais a saúde, os pequenos momentos... Aquelas coisas que a gente acha clichê, mas quando vem uma pandemia assim a gente coloca mais em prática ainda. Os meninos reclamavam comigo de tédio, várias vezes, e eu dizia: se é só isso o que vocês estão sentindo, o que mais importa está sobrando. O povo está morrendo de fome, sem trabalho, sem casa, de Covid... Então, se a gente está só entediado, bora ajudar! Está cheio de gente precisando lá fora.

E você sempre quebra o tédio com bom humor... Que história é essa com o copo americano?

Eu adoro criar códigos e maneiras de me conectar com quem me segue, né? Adoro! No “Se joga”, inclusive, tem o “nosso sinal”, vai continuar tendo. E o “nosso copo” foi mais uma maneira de achar algo em comum, é o copo que nos une. Eu sou viciada em café, e adoro esse copo para tomar café e cerveja. É o melhor, eleito por especialistas do mundo. Para cada um ele tem um nome. Um dia, postei no meu Instagram e perguntei como ele era conhecido em cada lugar. É americano, de boteco, lagoinha, garotinho... E aí virou uma corrente. Eu posto um copo e daqui a pouco tem milhões de marcações, eu vou guardando e faço esses clipes de todo mundo postando. E aí virou um símbolo, e eu estou fazendo o “nosso copo” com a minha assinatura, personalizado, para vender para quem quiser ter o seu. Virou negócio. Teve uma menina que me segue que tatuou o copo... Tem noção?

E seu copo é meio cheio ou meio vazio?

Completamente cheio! Eu sou essa pessoa sempre otimista. Nunca foi tão difícil ser assim, mas estou aqui firme e forte. É o que me move, me ajuda a passar por todos os momentos, é o que deixa o estresse mais leve, é o que encurta o tempo do luto, suaviza os problemas... Eu tenho muito orgulho de ser assim e procuro, conscientemente, cultivar isso. Isso não quer dizer que eu nunca fico de mau humor ou depressiva. Óbvio que fico. Mas eu dou para o problema exatamente o tempo que ele merece, nem um segundo a mais, nem uma energia a mais. Logo depois eu penso: por outro lado... Meu lema é: o povo lá de cima nunca fecha as portas e janelas ao mesmo tempo. Esse meu lado otimista me obriga a mudar o ângulo de vista para achar uma frestinha a qualquer momento de sofrimento. Só fome e sono acabam com meu humor.

Dia desses, você postou uma foto na praia com a legenda “dia fenotipicamente lindo”, em referência aos discursos de Lumena dentro do “Big Brother Brasil 21”. Qual é a sua avaliação desse jogo que ela tem feito?

É muito difícil eu julgar a militância de outra raça, cor ou classe que não a minha, pode ser traiçoeiro. Eu analiso pela opinião deles próprios. Eu tenho lido muito sobre o assunto, trabalhado sobre isso, vi um vídeo maravilhoso outro dia que explicava sobre o exagero da militância. Seja para qual causa for, depõe contra a própria causa. O que eu tenho ouvido dos negros aqui fora é: “Não banaliza uma causa que é tão importante!”. Tudo é uma questão de medida. Virou meio que piada. O que eu acho mais engraçado mesmo é: Lumena autorizou? Já tem até filtro com isso, maravilhoso!

Você, inclusive, se juntou à filósofa e ativista Djamila Ribeiro na campanha #JuntosPelaTransformação, que visa à união de forças no combate ao racismo...

Djamila é uma pessoa muito admirável, né? Eu conheci o trabalho dela, comprei os livros, senti muita confiança nela pra entender como as pessoas de diferentes nichos podem se ajudar umas às outras. Não é possível só igual ajudar igual. É fundamental que diferentes ajudem diferentes. Então, qual é a minha importância na luta contra o racismo? Toda e total. Não é só porque não estou no lugar do oprimido que não posso ir contra o opressor. Então, a gente se uniu. Ela tem uma plataforma maravilhosa, que é o #JuntosPelaTransformação, e eu comprei 5 mil cotas desse curso pra distribuir pra ONGs, entidades e instituições acessarem esse curso de maneira gratuita. É um curso completo sobre toda a história do racismo, sociedade e cultura. Mostra como tudo começou estruturalmente e como a gente chegou ao ponto que está hoje. E a Djamila tem um português muito claro, didático. Nós somos diferentes na cor da pele, obviamente, mas eu, branca, posso dar visibilidade a essa luta. Quero ajudar a aliviar o peso nessa estrada que é bem longa.

Cancelamento, o assunto da vez, assusta? Você pensa mil vezes no que vai falar e postar ou se joga?

Quem não foi cancelado, cancelado será. Acho que é inevitável, é uma questão de tempo. Eu já fui cancelada por uma entrevista que eu me expressei supermal e que também foi supereditada. Juntou o mal falado com o mal escrito e deu numa coisa horrorosa. Mas o cancelamento é uma realidade, mas acho que tudo tem limites. O cancelador de hoje é o apontador de dedo de ontem. E quando você aponta um dedo, tem três voltados para você. Tem que tomar muito cuidado.

Você sofreu por causa desse cancelamento?

Eu sofri não pelo fato de ser cancelada, mas pelo motivo. Eu estou há muito tempo nesse mundo da televisão e fiquei conhecida por ter cumprimentado um cego, tenho total noção disso. Cometi uma gafe na primeira Copa do Mundo que eu estava apresentando. Foi horrível na hora, mas hoje em dia eu falo “que bom que aconteceu”, porque eu criei uma casca logo no primeiro momento. Se eu tivesse demorado para criar, talvez eu tivesse sofrido muito mais com o que veio depois. Porque não seria a última gafe. “Loura burra” foi a melhor coisa que eu li e ouvi dessa situação. Se eu tivesse levado em consideração tudo o que falaram sobre mim, não entraria no estúdio no dia seguinte. Eu comecei a ter muita certeza de quem eu sou e do que estou fazendo. Pouquíssimos assuntos me tiram do sério, mexem comigo e me machucam nesse sentido de crítica ou cancelamento. A minha maternidade, por exemplo, se julgar, eu estou superaberta para troca. Eu faço live, estou fazendo um curso sobre isso, falo sobre filho, criação, mães que educam. Estou aberta a críticas construtivas. O elogio embala a gente, mas quem nos coloca no trilho certo é a crítica construtiva. Agora, a crítica com agressividade, ira, nada mais é que o xingamento, que para mim é uma ignorância. Então, o cancelamento dessa vez (da entrevista) bateu em lugares que para mim são muito especiais. Me chamaram de racista pra baixo, coisas que não têm nada a ver comigo e passam pelo meu caráter, meus princípios e valores. Pra mim, não é uma brincadeira.

Ainda a atacam por conta de sua orientação sexual?

Não! Nada... Teve ataque algum dia? Teve hater? Nunca vi, não percebi (risos)...

Você toparia participar de um reality como o “BBB”?

Gente do céu, isso é muito louco, né? Nesta edição, em especial, eu tenho pensado mais do que nunca em mim lá na casa. Não, não posso. Se eu fosse solteira e sem filhos, com certeza. Mas agora, nesse meu contexto de vida, esse pacote que criei de vida, não tem como. Ninguém entra sozinho naquela casa, leva a família junto. Pô, a mãe do Bil (Arcrebiano) sofrendo horrores, pedindo para votarem para o menino sair; o Lucas Penteado, coitado, o que a família não sofreu? A namorada da Lumena mesmo, outro dia, fez um post pedindo para pararem com as ameaças; o filho da Karol Conká também... Não dá, gente, as pessoas perderam a mão.

Eu acho que você teria grandes chances de chegar à final...

Ah, é? E por que você acha isso?

Tem personalidade forte, é comunicativa, bem-humorada, carismática...

Ah, você diz isso pra todas, fala sério! Bom, Gentil, pelo menos, eu sei que sou... Está no sangue (risos).