Fernanda Montenegro e Fernanda Torres se divertem com ‘bode galã’ e falam sobre atuarem juntas: ‘Não tem demagogia’

Naiara Andrade
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A simpatia do bode e o carinho de Fernanda Montenegro com ele, evidentes na imagem logo abaixo, não são mera ficção. O animal que estrela o especial da Globo que vai ao ar na noite da próxima sexta-feira, dia 25, depois de “A força do querer”, ao lado da veterana e de sua filha, Fernanda Torres, realmente encantou as atrizes.

— O bode é maravilhoso! Nos ensaios, ele era instável, não obedecia. Mas no “ação”, o danadinho se mostrou o senhor da cena, roubou todas as atenções — conta Fernandona, a Gilda da história.

A intérprete de Lúcia complementa, aos risos:

— É o tipo de ator que não se gasta nos ensaios. Nós o apelidamos de Zequinha Montenegro. Ele virava na hora certa, subia em árvore para ganhar close, mordia o anúncio... É um fenômeno!

Na trama, o bode se chama Everi e acompanha Gilda e Lúcia de volta ao Rio, depois da temporada das duas na Serra, isoladas da pandemia da Covid-19. O novo episódio da vez é uma sequência do primeiro, exibido dentro da série “Amor e sorte”, em setembro, e gravado no núcleo familiar das atrizes, com participação de Joaquim Waddington, filho de Fernanda Torres e Andrucha Waddington, que assina a direção ao lado de seu outro filho, Pedro. Arlete Salles, Fabiula Nascimento e Kelzy Ecard se unem ao elenco.

Em um ano que “deu bode”, um terceiro protagonista mais representativo para o especial não haveria...

— Quisera eu que o bode de 2020 fosse o da nossa história, lindo, feliz, alimentado, harmonioso e sadio. Não vamos pensar nesse animal tão fundamental para a procriação dos cabritinhos com medo, receio ou desprezo. Na minha origem italiana, era o prato do Natal e da Páscoa. Tenho uma grande ligação com o bode, minha personagem também. Então, “Feliz Bode” para o nosso ano que vem — brinca Fernandona.

Mãe e filha com problemas financeiros

Roteirista do especial ao lado de Antônio Prata e de Fernanda Torres, Jorge Furtado diz que a questão central, desta vez, é financeira:

— Além da crise sanitária, a expectativa é de começarmos 2021 sem dinheiro no país. Então, pensei em fazer essa história em que Lúcia está desempregada, alugou o sítio. Agora, juntas, as duas vivem das poucas economias da filha e da aposentadoria da mãe.

Para Fernanda Torres, Gilda e Lúcia representam a polarização do mundo atual.

— Uma é a liberada; a outra é a liberal. Lúcia é a filha careta de uma mãe maluca. O episódio propõe, através do afeto, que as radicalidades se encontrem, conversem e resolvam seus problemas — explica a atriz, afirmando que contracenar com a própria mãe é “muito natural”.

Fernandona confirma:

— Na hora do trabalho, não tem demagogia, maternidade e filiação romantizadas. É pão-pão, queijo-queijo. Temos personagens para dar conta.

A graça do ator substituto, com ‘ares de galã’

Um olhar mais atento para “Gilda, Lúcia e o bode” vai notar que houve uma “troca de atores” em relação ao episódio de “Amor e sorte”.

— No primeiro, arrumamos um bode emprestado do nosso vizinho na Serra. Juvenal era selvagem, tinha um par de crifres arcaico e um cheiro terrível, que a gente sentia de longe. A roupa ficava impregnada daquela catinga! E ele ainda fazia xixi na gente. Mesmo assim, quero deixar registrado que eu o amava — relata Fernanda Torres, aos risos: — Já Zequinha é perfumado, um ator profissional.

— E galã! Esse novo bode berra baixo, parece um príncipe. O outro fazia “béeeeeee” — imita Fernandona, aumentando o tom de voz, também às gargalhadas.