Fernando Iggnácio: funcionários do heliporto onde contraventor foi assassinado prestam depoimento

Marcos Nunes
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Divulgação

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RIO — Quatro funcionários de um heliporto na Zona Oeste do Rio, onde o contraventor Fernando Iggnácio foi assassinado na última terça-feira, estão prestando depoimento na Delegacia de Homicídios da Capital nesta tarde. O piloto de helicóptero que trouxe o bicheiro de Angra dos Reis também já foi ouvido. O teor das declarações prestadas é mantido em sigilo pelos investigadores.

A polícia pretende localizar e intimar homens que trabalhavam na segurança pessoal do contraventor. Os policiais querem entender porque Iggnácio estava sem escolta quando foi morto. Até quarta-feira, pelo menos oito testemunhas já haviam a sido ouvidas pela polícia.

Iggnácio foi atingido por cinco tiros de fuzil, quando caminhava sozinho para pegar um carro blindado no estacionamento da empresa se táxi aéreo. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o assassino estava desde o início da manhã de terça-feira escondido em um terreno baldio, ao lado do local do crime, esperando a chegada da aeronave que trouxe Iggnácio. O crime ocorreu por volta das 13h30. Na ocasião, foram disparados pelo menos dez tiros de fuzil AK-47. Logo após o ataque, o atirador usou o mesmo terreno baldio como rota de fuga.

Disputa familiar

Fernando Iggnácio era genro de Castor Gonçalves de Andrade e Silva, que tornou-se o chefão da contravenção no Rio nos anos 70 e chegou a expandir seus domínios para o Nordeste. Ele morreu de infarto em abril de 1997, dando início a uma guerra na família pela sucessão. Ainda em vida, Castor escolhera Rogério, seu sobrinho, para comandar a contravenção na Zona Oeste e em outras áreas do estado. O filho de Castor, Paulinho, não concordou e iniciou uma batalha com o primo. Em 1998, Paulinho e um segurança foram assassinados na Barra. O genro de Castor, Fernando Iggnácio Miranda, assumiu o lugar na disputa com Rogério.

De acordo com investigações da polícia, a partir da metade dos anos 1990, Fernando Iggnácio passou a controlar a Adult Fifty, empresa que explorava caça-níqueis em toda a Zona Oeste. Em 1998, Rogério teria fundado a Oeste Rio. O próprio Rogério foi vítima de uma tentativa de assassinato em 2001. Em abril de 2010, outro ataque: o filho de Rogério, de 17 anos, morreu num atentado na Barra. Em vez do pai, era o rapaz que dirigia um carro no qual foi colocada uma bomba. Segundo uma investigação da Polícia Federal, os contraventores César Andrade de Lima Souto e Fernando Andrade de Lima Souto estariam envolvidos no crime.