Festa junina inflacionada: quitutes típicos subiram mais de 13%

A volta das festas juninas veio junto com a inflação. Os pratos típicos da ocasião subiram em média 13,12% nos últimos 12 meses. O milho de pipoca ficou 21% mais caro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV.) O levantamento elaborado pelo economista da FGV Matheus Peçanha, encontrou pelo menos 12 alimentos dos mais usados para os quitutes da festa que subiram acima da inflação média de 10,08% até abril.

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Batata doce ficou 16,03% mais cara e o fubá, 15,63%. Somente o leite de coco e o arroz ficaram mais baratos. Pelos cálculos do economista, a disparada dos preços do açúcar e da maçã vão inflacionar a maçã do amor, um símbolo das festas juninas.

— O Brasil tem vivido choques climáticos sucessivos praticamente desde 2020. Nesse último choque, chuvas torrenciais nos meses de verão afetaram quase todas as culturas, por isso vimos uma escalada de preços absurda nos últimos quatro ou cinco meses de itens tão básicos como o tomate e a cenoura. Também houve alta importantes em batata, couve e maçã — aponta o economista da FGV.

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Fernando Torres, de 39 anos, é comerciante há 20 anos. Dono do bar Os Imortais, em Copacabana, Zona Sul do Rio, o carioca não via a hora da volta das festas juninas, para vender o carro-chefe da casa, os“kits juninos”, que levam salsichão, caldo verde, batida de paçoca (feita com cachaça e leite condensado), milho cozido, pipoca, espetinho de carne de sol e churros com doce de leite, custando, no ano passado, R$ 80, numa porção para duas pessoas.

Este ano, para comprar os produtos mais baratos, o comerciante optou por buscar os insumos diretamente do Ceasa, mas não conseguiu segurar os repasses para o kit junino, e o preço subiu para R$ 95, alta de 19%.

— Desde a semana passada, estou comprando diretamente no Ceasa. Eu comprei um carro de segunda mão, ano 97, barato, para conseguir transportar os alimentos sem precisar pagar frete.

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No ano passado, no auge da segunda onda da Covid-19, a venda dos kits foi por delivery, mas em 2022, Torres espera poder fazer festa e receber os clientes no bar:

—Realmente estou na expectativa de fazer algo mais comemorativo e bacana, mas sei que tenho que segurar um pouco os gastos que subiram muito. Repassar para o preço final é sempre preocupante. Corre aquele risco de eles virarem as costas.

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Para Matheus Peçanha, os comerciantes são os primeiros a sofrer com a alta dos custos, principalmente por não haver substitutos para os produtos típicos dessa época de festa:

— Muitos desses produtos não têm substituto para quem quer seguir a receita tradicional, então a principal dica para driblar o impacto no bolso é pesquisar preços, dar preferência a marcas menos conhecidas ou reunir um grupo maior e comprar em ‘atacarejos’, para conseguir descontos maiores — aconselha o economista.

*Estagiária sob supervisão de Danielle Nogueira

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