Festas online, com DJ e venda de tíquetes, oferecem paquera e diversão dentro de casa

Lívia Breves
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O produtor de moda e relações-públicas Daniel Kalleb se monta para as festas online

No último fim de semana, a designer Julia Rocha fez pedido de delivery de cervejas, decorou a casa, colocou luz neon, caprichou no look e na make e chamou os amigos para sua festa: ela aproveitaria uma versão virtual do evento “Vitrolinha”, comandado pela DJ TataOgan, para comemorar seu aniversário. Para entrar nesse agito, era necessário se cadastrar e adquirir tíquetes (custa o quanto se pode pagar: de zero a R$ 50). O encontro aconteceu na plataforma Zoom, criada, inicialmente, para ser uma ferramenta de encontros no mundo corporativo. Cabem até 300 pessoas por sala e, nas festas, o áudio dos convidados é silenciado, deixando apenas o do DJ, assim não há muito ruído. Um dos grandes desafios foi encontrar a técnica para deixar o som bacana em todas as casas.

— Tocar sem sentir o calor humano é muito estranho. Por outro lado, fico feliz quando vejo as pessoas curtindo nesse momento tão delicado que vivemos. A cultura e a arte trazem essa alegria. Pelas telinhas, vejo que rola paquera, que acontece de tudo. Até gente chata pedindo música. Mas está sendo gratificante ver o povo animado, dançando e sorrindo — conta TataOgan.

A conversa entre os participantes acontece via chat, que pode ser em grupo ou individual, quando o papo esquentar.

 

— Já tinha estado em outras duas festas antes e não quis passar o meu aniversário sem um encontro animado com meus amigos. Vieram amigos de várias partes do mundo. Confesso que não é fácil gostar de uma festa virtual de cara. É preciso ter facilidade em se comunicar num chat, ter coragem de colocar a cara ali para ser observada por pessoas que não conhecemos — diz Julia, ressaltando ainda a importância de ajudar a turma da noite, que está passando um aperto para conseguir pagar suas equipes.

Nisa Pinheiro, sócia do BCo. Space Makers, espaço criativo no Santo Cristo que virou point de jovens desde o ano passado, está produzindo diversas festas, entre elas a própria Vitrolinha, que, em tempos de pandemia, ganhou o nome de B/Trolinha, que acontece aos sábados, sempre às 20h. Desde que foi decretado o isolamento social para quem pode ficar em casa, ela e seus parceiros buscaram maneiras de levar a programação para as plataformas online. Da primeira edição, com 80 pessoas na sala, a frequência deu um pulo e, duas semanas depois, reuniu 185 festeiros.

— A galera começa a se soltar dois drinques depois. As conversas e paqueras acontecem no chat da plataforma, e é legal ver as reações pelo vídeo. Já percebemos algumas pessoas cativas.

A nova festa do B.Co, com estreia no dia 30 deste mês, será a “O tempo não para”. A ideia é arrecadar cestas básicas para os trabalhadores informais que fazem parte da equipe do espaço.

— Nossa meta é chegar a R$ 3 mil, para pagar duas cestas básicas por mês a cada um do staff — disse Nisa.

 

A estudante de Cinema Isabele Lima, de 21 anos, estranhou um pouco quando começou a frequentar as festas online. Mas hoje ela diz que já se sente adaptada.

— Às vezes, dá vergonha de aparecer na câmera, ainda mais quando não se conhece ninguém. Mas, com um set de música legal, pessoas divertidas e uma luz colorida, percebi que ninguém estava ali para julgar o outro e sim querendo fugir um pouco dessa loucura que estamos vivendo — observou.

Brasileira que mora há 20 anos na Califórnia, a gerente de marketing da vinícola Gundlach Bundschu Camille Guimarães, de 36 anos, estava em busca de distração na quarentena. Mãe de um menino de 2 anos, ela já tinha deixado para trás o velho modelo de balada. Agora, tem a possibilidade de se divertir sem precisar sair de casa e à tarde, beneficiada pelo fuso:

— Achei que o evento online não supriria minha saudade de sair à noite. Mas funcionou. Claro que nada substitui o calor humano, mas foi bom ver gente dançando, se divertindo, e ainda esbarrei com uma amiga de infância.

O quarto do estudante de Design de Mídias Digitais Guilherme Marandino, de 22 anos, já fica preparado para seus eventos virtuais:

— Não coloco roupa muito extravagante, mas as festas já são um bom motivo para não ficar de pijama o dia todo. E ainda conheço gente nova.

 

Os sócios da festa “Carnageralda” foram pioneiros em pensar em maneiras de arrecadar fundos para pagar sua equipe (faxineiros, caixas e seguranças etc). Desde a 1ª edição, sugeriram o pagamento de R$ 30. Para começar, Rosana Rodini, Pedro Igor Alcântara e Bárbara Rosalinski criaram encontros temáticos cujos ingressos esgotaram logo na primeira edição. Os eventos do trio são famosos pela montação, e não faltou figurino exuberante.

— As festas online são o novo lugar de paquera. As pessoas saem dali e se adicionam no Instagram. Noto que a galera tem ousado bastante nos flertes, talvez porque não estejam cara a cara. Nosso pico foi de 120 pessoas ao mesmo tempo

O produtor de moda Daniel Kalleb se prepara:

— Afasto os móveis e abro espaço para o “dance” .

O DJ Deo’Jorge tem feito a festa O/nda. De Nova York, onde vive, reuniu gente do mundo todo. Conseguiu sala para até 500 pessoas no Zoom, e teve fila.

— Pedimos colaboração para ajudar instituições que cuidam de afetados pelo coronavírus.