Festivais Mimo e Novas Frequências promovem shows gratuitos pela cidade

Sérgio Luz

O fim de semana promete para os cariocas aficionados por música e curiosos por conhecer novos sons. Os festivais Mimo e Novas Tendências ocupam a cidade com uma intensa programação musical gratuita. Em comum, o fato de terem artistas prestigiados, mas, em sua maioria, ainda pouco conhecidos do grande público.

De hoje a domingo, no Parque das Ruínas e na Fundição Progresso, o Festival Mimo 2019 promove 11 shows gratuitos. Há ainda workshops no Museu da República (as inscrições estão encerradas, mas o público pode entrar na lista de espera) e Fórum de Ideias, no Crab, sábado, além de filmes sobre música no Cine Odeon. Os ingressos são distribuídos por ordem de chegada.

Com 16 anos de história e quase 50 edições — entre Rio, Paraty, São Paulo, Olinda e Amarante (Portugal) —, o evento reúne artistas de variadas vertentes.

— Este ano priorizamos a música negra e a presença feminina. Da África, representantes de peso, como Noura Mint Seymali, da Mauritânia, e Amadou & Mariam, do Mali, que têm sons e texturas musicais distintos. Noura traz o psicodelismo do deserto, e Amadou & Mariam combinam música tradicional do Mali com rock e blues. Do Brasil, instigantes trabalhos da nova geração, como Edgar e Xenia França. E tem a Marta Pereira da Costa, única mulher profissional da guitarra portuguesa — diz a curadora Lu Araújo.

Já o Novas Frequências, cuja nona edição começa domingo em diferentes espaços do Museu de Arte Moderna, é dedicado à música experimental e de vanguarda, com 27 atrações de 14 países, entre shows e performances. A programação inclui a primeira apresentação do australiano Oren Ambarchi no Brasil, além da argentina Beatriz Ferreyra, de 82 anos.

— Este ano, o destaque, até pela escolha do tema, “Fora do Palco”, é o formato, que se espalha pela cidade. As propostas artísticas, com o som como característica principal, tornam esta edição um marco na história do festival — diz o curador Chico Dub.

MIMO

Sexta, 29/11

Marta Pereira da Costa

Virtuose da guitarra portuguesa, a artista lusitana é conhecida por mesclar a tradição do fado com linguagens de música clássica, world music e jazz. Sua formação inicial foi no violão clássico, ainda na infância. Formada em Engenharia Civil, Marta viria a migrar para o tradicional instrumento de seu pais apenas aos 18 anos. .

Hamilton de Holanda

Assim como a colega da Terrinha, o bandolinista é considerado um dos maiores nomes de seu instrumento em todo o mundo. Hoje, Hamilton leva ao palco o show solo “Eu e vocês”, no qual toca canções pedidas pelo público. Um número que faz sucesso nessas apresentações costuma ser “Carinhoso” (Pixinguinha), com a plateia entoando a letra de Braguinha. Às 20h, no Parque das Ruínas.

Programa Educativo

Os workshops são realizados no Museu da República. Às 10h, Marta Pereira da Costa em “O feminino na música instrumental”; no mesmo horário, Fortuna fala sobre “Diversidade e diálogos na música do mundo”; às 14h, Ana de Oliveira e Sergio Ferraz fazem o concerto-aula “Música armorial”; às 16h, Hamilton de Holanda apresenta “Improvisação, oito hábitos criativos”.

Sábado, 30/11

Luísa Mitre Quinteto

Vencedores do Prêmio Mimo de música instrumental 2018, a pianista mineira e seu grupo apresentam composições próprias, que trafegam entre o rigor da música de concerto e o encanto da música popular brasileira, passando por gêneros como forró, choro e samba. Às 16h, no Parque das Ruínas.

Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz

A violinista paulista e o multi-instrumentista pernambucano convidam o percussionista Marcos Suzano. O repertório conta com versões para clássicos da MPB, todas repletas de improviso, e composições menos conhecidas do cancioneiro nacional. Às 17h30, na Fundição Progresso (Palco Sebastião).

Noura Mint Seymali

A cantora e multi-instrumentista da Mauritânia iniciou sua carreira aos 13 anos. Sua música mescla sonoridades de sons do Magreb, do Saara e da África Ocidental, entre a tradição e a contemporaneidade. Sua especialidade é o ardine, uma espécie de harpa tradicional de nove cordas que pode apenas ser tocada por mulheres. Às 19h, na Fundição Progresso (Palco Sebastião).

Edgar

O rapper paulista, já descrito como “O profeta do apocalipse” pelo crítico Mauro Ferreira, ganhou notoriedade depois de participar do premiado disco “Deus é mulher” (2018), de Elza Soares. No mesmo ano, ele lançou seu próprio álbum, “Ultrassom”, produzido por Pupillo, da Nação Zumbi. Às 20h, na Fundição Progresso (Palco Arena).

Jards Macalé

O cantor, compositor, produtor, arranjador e violonista faz show de seu disco mais recente, “Besta fera”, lançado este ano.

Xenia França

Representante de uma fervilhante geração de jovens cantoras negras brasileiras — ao lado de Larissa Luz, Iza e Luedji Luna, entre tantas outras —, a cantora, depois de sua primeira turnê pelos EUA e de ser convidada por Seal para participar de seu show no último Rock in Rio, faz sua estreia no Mimo. Repleta de referências da música negra, a sonoridade da artista mescla sua baianidade a estilos como jazz e R&B. Às 23h, na Fundição Progresso (Palco Arena).

Amadou & Mariam

No início de sua carreira, a dupla era conhecida por alguns apenas como “O casal cego do Mali”. Mas a mistura de letras de forte cunho político, música tradicional africana, blues, pop e rock do guitarrista e da cantora — que se conheceram no Instituto de Bamako para Jovens Cegos — ganhou o mundo, com destaque para o disco “Dimanche à Bamako” (2005), produzido por Manu Chao. À meia-noite e meia, na Fundição Progresso (Palco Arena).

DJ Montano

Residente do Festival Mimo desde 2015, o DJ e pesquisador musical comanda as picapes nos intervalos dos shows na Fundição Progresso. Atento tanto ao que há de novo pelo mundo quanto a antigas raridades, o DJ Montado prepara um set que passa por maracatu, samba, jazz, funk e tropicália, entre outros gêneros e movimentos musicais.

Etapa Educativa

No Museu da República: sábado, às 10h, Grazie Wirtti com o workshop “Canto sem fronteiras” e Edgar com “Confecção de máscaras-personas”; às 14h, o percussionista Marcos Suzano divide seu conhecimento sobre o instrumento em “Pandeiro”.

Fórum de ideias

No Crab (Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, na Praça Tirandentes), a iniciativa apresenta duas falas: às 11h, Noura Mint Seymali em “Vozes femininas na tradição griot africana”; às 15h, Amadou & Mariam em “Música e nação, o pop africano no Ocidente”.

Domingo, 1/12

Chuva de Poesia

Idealizada pelo poeta, artista gráfico e editor mineiro Guilherme Mansur, foi incorporada à programação do Mimo em 2013. Com versos sobre amor espalhados por todo o espaço, a edição deste ano reúne poemas de Rimbaud, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e Ferreira Gullar, entre outros. A partir das 11h30, no Museu da República.

Fortuna & Coro dos Monges Beneditinos do Mosteiro de São Bento

Ao lado do conjunto vocal, a cantora e compositora apresenta o espetáculo “Mares da memória”, com um roteiro dedicado a canções inspiradas em obras do cancioneiro ladino (dialeto judeu-espanhol), reunindo os ritmos da fusão cultural entre os povos peninsulares e mouriscos. O show, às 17h, no Parque das Ruínas, é precedido por apresentação do artista vencedor do Prêmio Mimo de Música 2019,

às 15h.

Mimo no cinema

Após a exibição de quatro filmes ontem, o Mimo Festival segue hoje e amanhã no Cine Odeon, na Cinelândia, com a apresentação de sessões duplas com obras recentes dedicadas a personagens e momentos históricos da música popular brasileira, sempre com um curta-metragem seguido de um longa. Com exceção de “Baião destemperado”, animação de Pedro Vilo, que abre a programação desta sexta-feira, todos os trabalhos são documentários. Os ingressos, gratuitos, são distribuídos por ordem de chegada.

Sexta, 29/11

18h30: “Baião destemperado” (2019), de Pedro Vilo, seguido pelo longa “Tudo pela música — Os 20 anos da Deck” (2018), de Daniel Ferro.

20h30: “Ele era assim: Ary Barroso” (2019), de Angela Zoé; “O barato de Iacanga” (2019), de Thiago Mattar.

Sábado, 30/11

16h: “Na rota do vento — A música no cinema de Sergio Ricardo” (2019), de Marina Lufti, Cavi Borges e Victor Magrath; “Memórias do Grupo Opinião” (2018), de Paulo Thiago.

18h: “Procuram-se mulheres” (2019), de Rozzi Brasil; “Sambalanço — A bossa que dança” (2018), de Fabiano Maciel.

20h30: “Poesia Azeviche” (2018), de Ailton Pinheiro; “Dorival Caymmi — Um homem de afetos” (2019), de Daniela Broitman.

Novas Frequências

Beatriz Ferreyra

Uma das pioneiras da música eletrônica, a compositora argentina de 82 anos iniciou sua exploração musical influenciada pelo trabalho de Pierre Schaeffer, conhecido como o criador da música concreta, e do Groupe de Recherches Musicales, quando foi viver na França, na década de 1960. Atuando no universo da música concreta e eletroacústica, Beatriz apresenta no Rio quatro peças, que serão propagadas por meio de um sistema multicanal de oito alto-falantes. A programação do dia, que começa às 11h, inclui performances de Éliane Radigue, André Damião & Gabriel Francisco Lemos, Maria Noujaim & Savio de Queiroz, Martina Lussi e Tim Shaw. Domingo, no Museu de Arte Moderna, às 16h30.

Martina Lussi

Nascida em Lucerna, na Suíça, a artista faz em seu trabalho uma interseção entre música, artes plásticas e performance. Mestra em Práticas de Artes Contemporâneas pela Universidade de Berna, ela apresenta no Rio a instalação “Composition for a circle”, com estruturas sonoras criadas a partir de colagens de gravações de guitarra. Domingo, a partir das 11h, no MAM, e sexta (6/12), às 20h30, na Igreja da Glória, em noite que também traz Daniel Nunes & Leandro César.

Oren Ambarchi

Inspirado por compositores como Alvin Lucier e Morton Feldman, a obra do australiano engloba música eletrônica contemporânea, minimalismo, improvisação e rock. Conhecido por seus experimentos abstratos com a guitarra, Ambarchi também us instrumentos como piano, percussão, sino, cordas e gaita de vidro. Segunda, às 19h, no Ciep Tancredo Neves (Rua do Catete 77, Catete).

E mais...

Chiara Banfi

Citada pelo curador Chico Dub como um dos destaques da programação, a paulistana radicada no Rio exibe a série de vídeos abstratos “Abalo”, na qual convida músicos como Pedro Sá, Kassin, Thiago Nassif e Mario Caldato para criarem trilhas sonoras que representem o ritmo das imagens. Quarta, às 19h, no Cine Joia.

Lawrence English

O compositor, artista e curador australiano mostra “Amazon field recordings live set”, performance multicanal criada a partir de sons ambientes gravados durante uma residência artística na Amazônia. Ele é seguido por performance de Lea Bertucci. Sábado (7/12), às 15h30, no Museu da República.

O Yama O

O projeto é formado por Keiko Yamamoto e Rie Nakajima, japonesas radicadas em Londres. As paisagens sonoras da dupla são construídas por meio de dispositivos cinéticos e objetos do cotidiano, como brinquedos e até tigelas de arroz. No mesmo dia, também tocam Loïc Koutana, NSDOS, Zorka Wollny, Joaquim Pedro dos Santos &Aleta Velente, Luigi Archetti e Tim Shaw. Domingo (8/12), no MAM, a partir das 11h.