Festival de Cannes 2022 anuncia júri oficial com a presença de diretor iraniano acusado por plágio

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O Festival de Cannes anunciou nesta terça-feira (26) o júri oficial da mostra competitiva, que será responsável pela escolha do vencedor da Palma de Ouro. No time, chama atenção a presença do ator francês Vincent Lindon como presidente do júri e o nome de Asghar Farhadi, diretor iraniano vencedor de dois Oscars e que recentemente foi acusado de plágio por uma ex-aluna.

As atrizes Rebecca Hall, Deepika Padukone, Noomi Rapace e Jasmine Trinca, e os diretores Ladj Ly, Jeff Nichols e Joachim Trier completam o corpo de jurados da competição oficial.

Lindon é o primeiro ator francês a presidir o júri de Cannes desde 2009, quando Isabelle Huppert assumiu a função.

Asghar Farhadi foi acusado de roubar a ideia de uma ex-aluna, Azadeh Masihzadeh, para seu último filme, “Um herói”, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2021. O cineasta é o maior nome do cinema iraniano na atualidade, tendo conquistado o Oscar pelos trabalhos em “A separação” (2011) e “O apartamento” (2016).

Recentemente, a justiça iraniana aceitou as acusações contra o cineasta e deu prosseguimento ao processo, que ainda está em andamento.

“Um herói” acompanha Rahim (Amir Jadidi), um homem que deixa a prisão com uma licença de dois dias. Neste período, encontra uma bolsa repleta de moedas de ouro. Inicialmente, ele pensa em usar o dinheiro para pagar suas dívidas. Mas, ao descobrir que as moedas não valiam tanto assim, ele decide encontrar o verdadeiro dono e devolver o valor, pensando que a atitude pode ajudá-lo a passar a imagem de um homem honesto.

A trama chamou a atenção de Masihzadeh, que, em 2014, participou de um workshop de documentário conduzido por Farhadi em Teerã. Na ocasião, o cineasta pediu aos alunos que pesquisassem histórias reais e fizessem um curta-metragem com o tema “devolvendo coisas perdidas”. A maioria dos curtas usou como base histórias divulgadas em grandes órgãos de mídia do Irã, mas Masihzadeh resolveu contar uma história de sua cidade local, Xiraz, na qual um homem deixava a prisão e encontrava uma sacola com ouro, e decidia devolvê-la. O curta recebeu o nome de “All winners, all losers” (“todos ganhadores, todos perdedores” na tradução literal).

Em conversa com a revista “The Hollywood Reporter”, outros alunos do curso de Farhadi lembram que o diretor teria ficado muito impressionado com a obra da aluna. O cineasta afirma que foi o responsável pela ideia, e reforça que o caso original foi sim divulgado na mídia nacional. Em 2019, antes de começar a rodar “Um herói”, o diretor chamou Masihzadeh em seu escritório e a pediu para assinar um documento atestando que foi dele a ideia para “All winners, all losers”. A ex-aluna assinou o documento. Hoje, ela atesta que se sentiu pressionada por aquele que é o maior nome do cinema em seu país.

Através de sua advogada, Sophie Borowsky, o diretor afirma que a história é livremente inspirada em um fato real, e que a ideia nasceu a partir de versos de “A vida de Galileu”, de Bertolt Brecht.

Além do processo da ex-aluna, Farhadi também foi acionado na justiça pelo senhor Shokri, o homem real que inspirou as histórias de “All winners, all losers” e “Um herói”, e que considera ter sido retratado negativamente em cena. Sobre tal acusação, o cineasta reforça que não se trata de uma cinebiografia, e que não usa nomes ou elementos reais.

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