Festival religioso na Índia atrai multidões em plena onda de covid

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O festival religioso hindu Kumbh Mela, que é celebrado desde janeiro no norte da Índia, atraiu 25 milhões de pessoas, 4,6 milhões delas em dois dias esta semana, informaram as autoridades locais nesta sexta-feira (16), em plena segunda onda da pandemia de covid-19.

A Índia registrou mais de 217.000 infecções nas últimas 24 horas, elevando o número total de novos casos para dois milhões desde 1º de abril.

"Registramos 2.000 casos positivos desde segunda-feira em testes aleatórios com os peregrinos do Kumbh", disse à AFP Harbeer Singh, responsável do festival que acontece em Haridwar, capital do estado de Uttarakhand.

"Tomamos precauções e incentivamos as pessoas a adotarem comportamentos preventivos contra o coronavírus", acrescentou.

Segundo o responsável, os testes foram ampliados nos 600 hectares da feira. Ele insistiu que os protocolos do governo, incluindo a exigência de certificados negativos obrigatórios, eram estritamente cumpridos.

Apesar das recomendações oficiais, as imensas multidões de peregrinos que vão lavar seus pecados no Ganges, o rio sagrado, parecem ignorar o perigo.

No início da semana, Mahamandaleshwar Kapil Dev Das, de 65 anos, chefe de um dos 13 akhadas, os conselhos ascéticos hindus, foi internado no hospital onde morreu na quinta-feira em decorrência do coronavírus, de acordo com as autoridades.

Cerca de 80 sadús, ascetas hindus considerados santos, testaram positivo para o coronavírus, disseram as autoridades.

Esta gigantesca congregação há muito dispara alertas dos profissionais da saúde, que acreditam que o grande evento pode propagar uma "superepidemia", já que os peregrinos que voltam aos seus locais de origem podem espalhar o vírus em cidades e vilas por toda a Índia.

Mais de 25.000 peregrinos continuam chegando todos os dias na cidade onde entre 2 e 3 milhões de crentes hindus são esperados para seu último grande banho em 27 de abril, antes do final do festival.

O governo do estado de Uttarakhand não aplicou para o festival as restrições em vighr que limitam as congregações a 200 pessoas.

O ministro-chefe de Estado, Tirath Singh Rawat, declarou no início de abril que nenhum fiel seria "inutilmente hostilizado em nome das restrições ligadas à covid-19".

Pouco depois, ele foi infectado com o vírus, que até agora matou 175.000 pessoas na Índia e infectou 14,3 milhões, representando o segundo maior balanço no mundo depois dos Estados Unidos.

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