Festival Varliux exibe filmes franceses clássicos e inéditos em 80 salas brasileiras

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Consagrado no calendário dos cinéfilos brasileiros, o Festival Varilux começa hoje no Rio e em São Paulo, além de outras 44 cidades do país, em sua 12ª edição, com uma maratona de títulos franceses em 80 salas. Além de 17 longas inéditos, a programação inclui dois clássicos e uma mostra em homenagem ao ícone Jean-Paul Belmondo, morto em setembro, aos 88 anos.

—Privilegiamos filmes inéditos no Brasil e a mistura de gêneros e linguagens, para mostrar a diversidade da produção francesa. Estamos animados com a volta. As pessoas estão com sede de vivenciar a sala de cinema — diz Emmanuelle Boudier, que divide a diretoria do evento com Christian Boudier, seu marido.

Entre os destaques do festival está o ganhador da Palma de Ouro em Cannes “Titane”, de Julia Ducournau, candidato da França a uma vaga no Oscar; a comédia vencedora de sete prêmios César “Adeus idiotas”, escrita, dirigida e protagonizada por Albert Dupontel; e o drama de Emmanuelle Bercot “Enquanto vivo”, estrelado por ninguém menos que Catherine Deneuve.

A programação inclui ainda os clássicos “O magnífico” (1973), de Philippe de Broca, e “As coisas da vida” (1970), de Claude Sautet. Já o astro Belmondo brilha nas obras “O demônio das onze horas” (1965), de Jean-Luc Godard, “O homem do Rio” (1964), de Philippe de Broca, “Técnica de um delator” (1963), de Jean-Pierre Melville, e “Léon Morin, o padre” (1961), de Jean-Pierre Melville.

Novo talentos

Além de cineastas aclamados, o evento abre espaço para novos nomes, como o da tunisiana Leyla Bouzid, diretora do longa “Um conto de amor e desejo”, que integrou a Semana da Crítica de Cannes e ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Du Film Francophone d’Angoulême 2021. A trama acompanha o francês de origem argelina Ahmed na descoberta de sua sexualidade e de sua identidade árabe.

— Eu consigo me conectar com as histórias dos Ahmeds pelo mundo, jovens cheios de perguntas e que estão tentando encontrar seu lugar — diz o protagonista Sami Outalbali, que veio ao Brasil, pela primeira vez, para o festival — Ele vive um movimento de emancipação ao longo do filme. Encorajado por Farah (Zbeida Belhajamor), ele começa a pensar ‘minha identidade também vem de outro lugar’. Nem sempre é fácil estar confortável com isso. Há famílias em que isso é um tabu.

O ator ficou conhecido pelos fãs brasileiros por seu papel na série da Netflix “Sex education”, que também explora a descoberta da sexualidade.

—Acho que a série faz tanto sucesso porque traz algo que estava fazendo uma tremenda falta: uma conversa aberta sobre sexualidade, personalidade e problemas da adolescência. Eu adoraria que houvesse algo assim, que respondesse às minhas dúvidas, quando eu tinha 16 anos — aponta o intérprete de Rahim, que acabou se tornando um ícone LGBTQ+ — Antes de amar as pessoas, é preciso aprender a amar a si mesmo. Saiba que você é incrível e talentoso, não importa quem você seja. Todos merecem ser amados.

Outro nome promissor do festival é o ator Benjamin Voisin, destaque ao lado de Cécile de France e Gérard Depardieu no drama “Ilusões perdidas”, de Xavier Giannoli, indicado ao Leão de Ouro em Veneza.

—Sou muito curioso, sempre quero fazer coisas novas e pude aprender muito com eles— diz o ator, que trabalhou ainda com François Ozon em “Verão de 85”, pelo qual recebeu um Prêmio Lumière de Melhor Revelação e foi indicado ao César de Melhor Ator Promissor Masculino.

“Ilusões perdidas” é inspirado no romance homônimo de Honoré de Balzac e conta a história de Lucien, um jovem poeta que deixa sua cidade para tentar a sorte em Paris, em pleno século XIX.

— É engraçado porque esse texto tem duzentos anos e ainda é tão familiar com os nossos dias, mostra como nossa sociedade é influenciada pelo dinheiro e todos querem tirar algum lucro—destaca Benjamin

Uma novidade desta edição, que vai até 8 dezembro, são as sessões ao ar livre, no Rio, em um telão no Parque Lage. Todas as noites, até três filmes serão exibidos. Os ingressos podem ser comprados no local ou pelo site. A programação pode ser acessada no site do Varilux (variluxcinefrances.com/2021).

Confira a lista dos 17 filmes inéditos que participam do Festival:

• @Arthur Rambo – Ódio nas Redes, de Laurent Cantet;

• Adeus Idiotas, de Albert Dupontel;

• A Travessia, de Florence Miaihe

• Caixa Preta, de Yann Gozlan;

• Delicioso: da Cozinha para o mundo, de Eric Besnard;

• Enquanto Vivo, de Emmanuelle Bercot;

• Ilusões Perdidas, de Xavier Giannoli;

• Um Intruso no Porão, de Philippe Le Guay;

• Nosso Planeta, Nosso Legado, de Yann Arthus-Bertrand;

• Paris, 13 Distrito, de Jacques Audaiard;

• Madrugada em Paris, de Elie Wajeman;

• Mentes Extraordinárias, de Bernard Campan e Alexandre Jollien;

• Está Tudo Bem, de François Ozon;

• Titane, de Julia Ducournau;

• Tralala, de Arnaud e Jean Marie Larrieu;

• Um Conto de Amor e Desejo, de Leyla Bouzid;

• Uma pequena lição de amor, de Eve Deboise.

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