Feto de 8 meses passa por operação inédita no coração em Porto Alegre

Equipe da Santa Casa de Porto Alegre após operação bem sucedida em feto. Foto: Divulgação.
Equipe da Santa Casa de Porto Alegre após operação bem sucedida em feto. Foto: Divulgação.
  • Cirurgia corrigiu má formação na aorta de bebê

  • Esta é a primeira vez que hospital opera feto na barriga da mãe

  • Médicos comemoram sucesso

Um feto de 8 meses passou por uma cirurgia inédita no coração em um hospital de Porto Alegre. A operação foi realizada na barriga da mãe, para evitar complicações em seu coração.

A cirurgia foi realizada no dia 16 de maio na Santa Casa. A gestante, Débora Nunes Rodrigues, teve a confirmação do sucesso do procedimento em um retorno nesta quinta-feira (2). A expectativa é que o menino nasça nas próximas duas semanas.

A responsável pela operação foi a cirurgiã fetal Talita Micheletti Helfer. O procedimento foi acompanhado via monitoramento remoto pelo médico catalão Eduard Gratacós. Atuaram também os médicos Marcelo Brandão da Silva, Carlo Pilla, Marina Domingues, Mariana Sgnaolin e Daniel Correa Helfer.

Segundo Talita, essa é a primeira vez que um procedimento dentro da barriga da gestante é feito na Santa Casa de Porto Alegre.

"Somos um dos maiores centros do Sul do Brasil para tratar fetos com malformação do coração em geral. Até então, sempre oferecíamos tudo que havia de recurso, com tratamento após o nascimento. A cirurgia é rara porque a doença é rara. E, para nós, foi um marco, porque foi a primeira vez que tratamos antes do nascimento", comemora, em entrevista ao portal G1.

O feto foi diagnosticado com uma má formação na aorta, chamada estenose aórtica crítica, quando tinha 32 semanas. Por conta disso, seu coração tinha dificuldade de bombear o sangue corretamente. Com a cirurgia, a equipe pode evitar que o órgão do bebê sofra piora nos sintomas de insuficiência cardíaca, que pode, inclusive, levar a óbito.

De acordo com Talita, o procedimento se tratava da inserção de uma agulha através da barriga da mãe até chegar ao coração do filho. Assim, os médicos puderam expandir a aorta do feto usando um cateter-balão.

"Não abrimos a barriga, é minimamente invasiva. Fazemos tudo por meio de uma agulha mais grossa. Anestesiamos a mãe, e depois anestesiamos o feto, para ele não se mexer ou sentir dor. Introduzimos uma agulha que passa pelo tórax do feto e entra no coração. Colocamos a agulha nesta aorta e, pela agulha, passamos um cateter balão, e, com esse balão, dilatamos o vaso, para que possa acontecer a passagem de sangue. É bem delicado, porque estamos mexendo no coração do feto, então pode ter complicações bem graves, mas foi tudo bem", explicou.

O feto tem apresentado importantes sinais de melhora do quadro de insuficiência cardíaca. De acordo com a responsável, normalmente casos como esse seriam encaminhados para hospitais de São Paulo ou até para o exterior.

"Para nós, é muito gratificante ver que podemos melhorar a qualidade de vida de uma criança que ainda nem nasceu. É o que mais nos deixa feliz, porque normalmente recebemos esses casos já comprometidos. Pensar que conseguimos evitar que essa criança passe por muitas outras cirurgias, a satisfação é enorme. Para a saúde do RS também é muito importante, porque casos como esses eram tratados em São Paulo, e estamos trazendo para cá. As cirurgias fetais são muito recentes, não só as do coração. É um grande marco", declara.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos