FGTS: lucro deve cair quase à metade neste ano

Geralda Doca
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O lucro do FGTS neste ano deve cair quase à metade, na comparação com o resultado obtido em 2019, segundo números do orçamento plurianual aprovado pelo Conselho Curador do Fundo, nesta semana. No ano passado, o FGTS teve um resultado líquido de R$ 11,3 bilhões, sendo que R$ 7,5 bilhões foram distribuídos entre os trabalhadores. A previsão é o lucro fique em R$ 6,9 bilhões em 2020.

Para 2021, o lucro do FGTS está projetado em R$ 7,3 bilhões, subindo para R$ 7,7 bilhões no ano seguinte e R$ 7,6 bilhões em 2023.

Segundo conselheiros, o principal motivo para a queda do lucro do FGTS são as retiradas, que vêm superando os depósitos com os saques emergenciais do FGTS para estimular a economia. A crise decorrente da pandemia do novo coronavírus e a alta do desemprego também afetam as contas do Fundo.

Em razão disso, as disponibilidades do FGTS, recursos livres que podem ser aplicados em habitação, por exemplo, baixaram de R$ 112,9 bilhões neste ano para R$ 97,1 bilhões em 2021, chegando a R$ 77,3 bilhões em 2023.

Como consequência, o governo poderá ser forçado a reduzir as contratações para a baixa renda no programa Casa Verde e Amarela, que substituiu o Minha Casa Minha Vida.

De acordo com dados oficiais do FGTS, as contratações em 2020 atingiram 358 mil moradias até novembro. Para dar continuidade aos financiamentos habitacionais, o Conselho realocou R$ 5,6 bilhões que estavam parados em outras áreas de atuação do FGTS como saneamento, infraestrutura (obras de mobilidade urbana) e saúde (empréstimos para santas casas). Com isso, o orçamento para habitação popular neste ano subiu para R$ 62 bilhões.
O orçamento plurianual reservou R$ 56,5 bilhões para habitação em 2021. Para o ano seguinte, o valor projetado subiu para R$ 57,5 bilhões e R$ 58,7 bilhões em 2023.