FGTS tem rendimento acima da inflação em 2019. Vale a pena sacar em 2020?

Patricia Valle
·4 minuto de leitura

Com a decisão do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de distribuir 66% do lucro registrado pelo Fundo em 2019 entre os trabalhadores, a rentabilidade total do FGTS ficou em 4,90% em 2019. O valor é maior que a inflação acumulada nesse ano, de 4,31%, enquanto que a poupança rendeu apenas 4,34% no período e o CDI acumulou 5,96%.

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A expectativa é que rentabilidade do FGTS seja maior do que a dos investimentos mais conservadores atrelados à taxa básica de juros (Selic) em 2020 — atualmente em 2% ao ano. O governo está possibilitando a retirada dos recursos do fundo pelo Saque emergencial e pelo Saque Aniversário, mas, nesse cenário, é preciso pensar se vale a pena.

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A Caixa Econômica Federal tem até o fim deste mês para efetuar o crédito dos lucros nas contas do FGTS, de forma proporcional ao saldo. Esses recursos só podem ser retirados nas modalidades tradicionais de saque, como demissões, compra da casa própria e aposentadoria. Ou, neste ano, se o cotista optar pelo saque emergencial de R$ 1.045, ou todo ano pode-se retirar um percentual optando pelo saque-aniversário.

Para avaliar se a opção de saque é vantajosa é preciso analisar o momento financeiro. Para quem tem dívidas ou está com as contas apertadas, a retirada do fundo é a melhor opção, já que nenhum crédito será mais barato. Quem não tem uma reserva também pode ser interessante ter um recurso disponível. Já analisando o risco e retorno, não compensa.

— A rentabilidade do FGTS está muito atrativa comparando seus pares da renda fixa, mas não é um recurso com liquidez. O trabalhador pode sacar se for demitido, mas não em outras situações de perda de renda que pode fazê-lo precisar de recursos, ou um gasto imprevisto. Mas quem puder deixar o recurso, o fundo deve continuar vantajoso para os próximos 12 a 18 meses — afirma Fernando Domingues, assessor financeiro da Ativa Investimentos.

As contas vinculadas ao FGTS são remuneradas a 3% ao ano, mais TR (Taxa Referencial), atualmente zerada, e mais a distribuição dos lucros anuais do fundo, cujo percentual é definido pelo Conselho Curador. E não há incidência de imposto de renda.

Dessa forma, mesmo que os lucros não sejam distribuídos para os cotistas, o fundo poderá ter em 2020 uma rentabilidade maior que outras aplicações de renda fixa conservadoras, principalmente levando me conta o rendimento real (descontando impostos, taxas e a inflação). Considerando a inflação projetada para o ano de 1,65%, segundo o último boletim focus do Banco Central, o FGTS poderia ter rentabilidade real de 1,35%.

Assim, quem for sacar o fundo para investir precisa pensar ou em ter mais liquidez ou tomar mais risco para valer a pena.

— O saque emergencial pode ser uma opção para quem está buscando dinheiro na mão. Aquele dinheiro que pode ser sacado em menos de três a seis meses pode ficar no CDI, até mesmo na poupança, sem imposto, mas é preciso entender que não tem ganho com isso — diz Marcia Guerra, gerente de investimentos da Sicredi Vale do Piquiri.

Para quem não tem uma reserva de emergência e está preocupado em ter possíveis gastos, é preciso pensar em possibilidades de ter o dinheiro a qualquer momento sem riscos.

— Reserva de emergência não vai ter mais rentabilidade acima da inflação. Mas, é melhor perder da inflação do que perder dinheiro se precisar — afirma Fernando Domingues, assessor financeiro da Ativa Investimentos.

Entretanto, para quem já tem recursos em liquidez, não faz sentido tirar. Principalmente o investidor conservador. Já para quem é do perfil moderado a agressivo, pode ser uma oportunidade de entrar mais no risco.

— Há outras oportunidades de investimentos com mais retorno para quem tem mais prazo e mais apetite ao risco. Títulos de renda fixa que pagam mais que 8% a 10% ao ano, mas de longa duração, ou em ações, que são oportunidades nesse cenário. O investidor pode se expor via fundos ou ETFs de forma diversificada a um baixo custo. Porém, entendo que está correndo riscos para ter mais retorno — afirma Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

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