FH critica atuação de Bolsonaro na pandemia e diz que 'falta carinho nesse governo'

Gulherme Caetano
Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Foto: Marcos Alves / Agência O Globo (17/08/2018)

SÃO PAULO — O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fez críticas à forma com que Jair Bolsonaro tem lidado com a pandemia do novo coronavírus. Ele afirmou que o governo federal deveria expressar solidariedade às vítimas da doença e que, no momento, não acredita que o sucessor de Bolsonaro na presidência será do PT ou do PSDB.

FH participou de uma transmissão online, nesta quarta-feira, da Casa do Saber, e respondeu a questões de internautas. Questionado sobre o papel de Bolsonaro no combate à Covid-19, ele afirmou que falta liderança ao presidente.

— Nesse governo falta carinho, para que as pessoas afetadas (pela pandemia) sentissem que os outros estão sofrendo junto com elas. E olha que não sou de temperamento derretido, mas é preciso demonstrar solidariedade. (Falar em "gripezinha") dá a impressão de uma certa arrogância. "Sou atleta". Não adianta ser atleta, morre todo mundo — declarou o tucano.

Segundo FH, Bolsonaro "não está nada à altura" da presidência da República e se mostra perdido em relação a como combater a pandemia que já deixou, até a noite desta quarta-feira, 13.149 mortos no Brasil.

— (Bolsonaro) não está nada à altura. Ele nunca se sentiu cômodo naquela cadeira. Eu tenho a sensação de que é um homem que age por impulso. Ele primeiro age, e depois pensa. Ele perdeu o rumo, ficou assustado com o que está acontecendo.

— Bolsonaro precisa falar em nome de todos, para todos. O nosso presidente mais divide do que faz coesão. Eles inventaram agora inimigos que não existem. "Marxismo globalista". Eu nem sei o que é isso. Não existe. Tem que investir em coisas concretas. O que é concreto hoje? O coronavírus. E como vamos nos planejar para sair dessa confusão? Não ouvi uma palavra (do presidente) sobre isso.

Perguntado sobre como a oposição ao governo pode se organizar para lançar uma alternativa eleitoral em 2022, o ex-presidente disse ser favorável a "juntar forças" para se contrapor a Bolsonaro, mas que não vê esse candidato saindo do PT ou do PSDB.

Ele citou nomes de governadores, como João Doria (PSD-SP), Eduardo Leite (PSDB-RS), Rui Costa (PT-BA), Camilo Santana (PT-CE), Wellington Dias (PT-PI) e Flávio Dino (PCdoB-MA), além do apresentador Luciano Huck, como "bons nomes" para exercer esse papel.

— PT contra PSDB foi em outra época. Uma nova época está surgindo. É preciso consolidar o centro. E não um centro amorfo. Precisa ter lado, de crescimento econômico, de emprego, saúde e educação. Quem surgir aí, eu estaria disposto a apoiar. Eu não acho que o PSDB vá ser obstáculo a isso, nem o Fernando Haddad (PT). Mas acho que o momento é para alguém que não simbolize nem o PT e nem o PSDB. O grosso da população, que não é nem cá nem lá. Unificação não é só a favor, é contra também. É contra o autoritarismo — declarou.