Fiéis retornam à Praça de São Pedro para ouvir o Papa com distanciamento social

Por Catherine MARCIANO
Fiéis usando máscaras e luvas de proteção reunidos na Praça de São Pedro para a oração do Papa em 31 de maio de 2020

Pela primeira vez em três meses, o Papa Francisco falou neste domingo da janela do Palácio Apostólico aos fiéis autorizados a entrar na Praça de São Pedro, que foram obrigados a respeitar o distanciamento social.

"Hoje que a praça está aberta, podemos voltar, é um prazer", disse o pontífice, que saudou os fiéis espalhados pela imensa praça.

De acordo com o Vaticano, 1.500 pessoas entraram na praça neste domingo, muito abaixo do fluxo normal, quando a área fica lotada com turistas e peregrinos de todo o mundo.

Elisa Marzia Vitalino, diretora de uma escola, afirmou que não queria perder o momento "altamente simbólico", que considera "um ponto de partida para iniciar uma reflexão sobre o futuro".

Procedente da Tanzânia, Herbert Mpwage, estudante de Teologia em Roma, considera que o papa "dá esperanças" e afirma que "a vida deve continuar".

Durante o confinamento, o pontífice apareceu no fim de março em uma praça de São Pedro deserta para presidir uma oração contra a "tempestade" da pandemia, uma imagem impactante e que foi comentada em todo o mundo.

Neste domingo, sob um sol radiante, Francisco parecia desfrutar o encontro com os fiéis, em uma data importante, o dia de Pentecostes. O papa se dirigia aos fiéis graças a transmissões pela internet desde março.

O pontífice pediu aos fiéis que rezassem em silêncio com ele pelos "médicos, voluntários, enfermeiros, todos os trabalhadores da área da saúde que tanto fizeram neste período e merecem gratidão e admiração".

"Curar as pessoas é mais importante que a economia", disse, entre aplausos.

- Indígenas da Amazônia -

Em outubro, o pontífice reuniu no Vaticano um sínodo inédito dedicado aos problemas da Amazônia, com 200 participantes, incluindo religiosos da região e representantes dos povos indígenas.

Neste domingo, ao final da oração dominical, voltou a expressar preocupação com os povos indígenas da Amazônia "particularmente vulneráveis" à pandemia de COVID-19.

"Hoje, festa de Pentecostes, evocamos o Espírito Santo para que dê luz e força à Igreja e à sociedade na Amazônia, posta à dura prova pela pandemia", declarou.

"Há tantas pessoas contagiadas e falecidas, também entre os povos indígenas", lamentou, antes de pedir para que ninguém no mundo fique sem atendimento de saúde.

Em uma homilia de Pentecostes, pronunciada pouco antes diante de 50 fiéis na basílica de São Pedro, Francisco pediu aos cristãos que deixem de lado o "egoísmo" e o "pessimismo", para enfrentar com "unidade" as consequências da pandemia.