Fiel acusa pastores de omissão após irmão levar tiro por briga política na igreja

Fiel é baleado por PM durante briga por política em igreja de Goiânia, diz família. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Fiel é baleado por PM durante briga por política em igreja de Goiânia, diz família. (Foto: Reprodução)

Irmão do homem que foi baleado na igreja na Congregação Cristã no Brasil em Goiânia (GO) após uma suposta discussão política acusa os pastores de menosprezar a situação. Segundo Daniel de Souza, os líderes não prestaram apoio à família e a celebração continuou normalmente enquanto o irmão era atendido pelos bombeiros no corredor da igreja.

"Para mim, isso é pior que o tiro. Não recebemos uma ligação dos pastores anciãos para saber como estamos. Nenhuma visita", desabafou Daniel em entrevista ao G1.

Um integrante do conselho de anciãos da Congregação contou que não há uma visita programada para o fiel baleado. O membro preferiu não se identificar porque, segundo ele, não há um diretor na hierarquia da igreja e as decisões são tomadas pelo conselho.

"Foi uma confusão entre dois membros. Como a igreja não é responsável por atos dos seus membros, a situação foi criada entre eles mesmos. A situação ocorreu num corredor, tanto que o culto continuou porque ninguém ouviu", declarou o ancião ao G1.

Briga

O policial militar Vitor da Silva Lopes atirou em Davi Augusto de Souza no dia 31 de agosto, em um corredor da igreja. De acordo com o irmão da vítima, a briga ocorreu por conta de panfleto que foi distribuído pela Congregação e que trazia recomendações aos fiéis sobre as eleições, pedindo que eles não votassem em candidatos cujos planos de governo fossem “em favor da desconstrução das famílias”. A publicação foi realizada em abril deste ano.

"Meu irmão saiu para beber água e o policial também. Do lado de fora, meu irmão, o policial e outra pessoa começaram um debate sobre quem da igreja apoia ou não o governo, que os membros não deveriam votar na esquerda, como indicaram os líderes", declarou o irmão.

A discussão teria ficado mais séria e o cabo da PM teria então sacado a arma. Em depoimento, o atirador alega que foi atacado pela vítima e seus familiares e que eles tentaram tomar sua arma. Para se defender, o PM afirmou que atirou na perna da vítima de forma a cessar as agressões.

A Polícia Civil investiga o caso e apreendeu a arma e o celular do PM. A corporação disse em nota que 13 pessoas já foram ouvidas até a sexta-feira (9), entre autor, vítima, familiares e fiéis da igreja.

O policial vai responder a um procedimento administrativo disciplinar, mas continua trabalhando normalmente.