Fiesp vai divulgar manifesto em que pede entendimento entre os Poderes, após recuo de Bolsonaro

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 02.03.2020 - O presidente da Fiesp, Paulo Skaf. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 02.03.2020 - O presidente da Fiesp, Paulo Skaf. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após recuo do presidente Jair Bolsonaro, na crise provocada por ele contra o sistema democrático, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) vai divulgar nesta sexta-feira (10) o manifesto em que defende a harmonia entre os Poderes.

O texto, intitulado "A Praça é dos Três Poderes", estava previsto para ser publicado antes das manifestações de 7 de setembro, mas foi adiado pelo presidente da entidade, Paulo Skaf.

O manifesto recorda que a arquitetura da praça dos Três Poderes, em Brasília, já expressa a independência e a harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário, sendo que nenhum deles é superior ao outro.

"Esse princípio está presente de forma clara na Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país. Diante disso, é primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição impõe."

A federação também diz que as entidades que assinam o manifesto veem com preocupação a escalada da tensão entre as autoridades públicas.

O texto tem poucas modificações substanciais em relação a versões que haviam sido divulgadas anteriormente. Foi incluído trecho que diz: "Esta mensagem não não se dirige a nenhum dos Poderes especificamente".

É preciso que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna", continua.

Ainda em relação a versão anterior, foi retirado trecho que fazia menção a necessidade de "reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população".

A publicação do texto antes chegou a provocar um racha na Febraban (que reúne os principais bancos), com Banco do Brasil e Caixa ameaçando deixar a federação, se o manifesto fosse assinado pela entidade. A Febraban não assina o documento -já havia dito anteriormente que não ficaria mais "vinculada às decisões da Fiesp, que, sem consultar as demais entidades, resolveu adiar sem data a publicação do manifesto".

O adiamento da publicação causou críticas ao presidente da Fiesp pelas demais entidades que assinam o documento.

Entre as entidades que assinam a carta, estão a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).

Também assinam o Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e o Sinditêxtil (Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Estado de São Paulo), entre outros.

No último dia 7 de setembro, o presidente Bolsonaro fez dois discursos, um em Brasília e outro em São Paulo, para uma massa de apoiadores, em que confrontou ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e reiterou ameaças à democracia.

No dia seguinte, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, respondeu com um discurso firme à ameaça golpista do presidente. Nesta quinta-feira (9), o presidente Bolsonaro recuou das ameaças e tentou abrandar a situação, em uma nota divulgada pelo Planalto.

"Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", afirmou o presidente no texto.

Segundo o manifesto da Fiesp, o momento atual exige serenidade, diálogo e pacificação de todos.

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