Fila de 5h e dados vazados expõem caos com gripe e Covid no interior de SP

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***ARQUIVO***FERNÃO, SP, 25.06.2021 - Teste rápido para detecção da Covid em unidade de saúde de Fernão, no interior paulista. (Foto: Rubens Cardia/Folhapress)
***ARQUIVO***FERNÃO, SP, 25.06.2021 - Teste rápido para detecção da Covid em unidade de saúde de Fernão, no interior paulista. (Foto: Rubens Cardia/Folhapress)

RIBEIRÃO PRETO, SP, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Espera de cinco horas em hospitais particulares, dados vazados que foram parar na polícia e demora no resultado de testes. A alta de casos de gripe e de Covid-19 no interior de São Paulo expõem estruturas aquém da demanda tanto na rede privada como no SUS.

A costureira Suelene Aparecida Teixeira, 62, de Ribeirão Preto, ficou doente ainda no Natal e foi atendida pelo convênio na Santa Casa. Na sequência, ficaram doentes os netos e a filha.

"Eles ficaram das 9h às 14h no Hospital da Unimed. Nas UPAs [Unidades de Pronto Atendimento], tenho conhecidos que ficaram de sete a dez horas em espera", relata.

Ana Paula Della Mota Dias, 36, empresária de Ribeirão, conta ter marcado teste em farmácia para o filho na segunda-feira (3), sem dificuldades. "Mas hoje [quinta] minha cunhada começou a ter sintomas. Quando fomos agendar o teste dela, só tinha vaga para terça."

A Unimed Ribeirão destacou que os "casos aumentaram, mas em menor gravidade e sem necessidade de internação", saltando de "uma taxa de positividade de 11% para 39% até esta quarta-feira (06/01)".

Houve crescimento de 400% nos atendimentos por problemas respiratórios na rede da Unimed; foram 5.000 casos apenas nos primeiros seis dias do ano, com picos de até cinco horas de espera para pacientes com sintomas leves.

Em São José do Rio Preto, o grupo saltou de 10 para 17 pacientes por hora (alta de 70%). A Unimed da cidade informou que não faltam testes, mas, por causa da alta, o tempo de espera por resultados passou de 48 horas (2 dias) para 120 horas (5 dias). Têm sido feitos cerca de 500 testes por dia desde que o ano começou.

A Unimed Bauru informou que o movimento no pronto atendimento "cresceu 100% nos últimos 15 dias." Em Araçatuba, o fluxo de pessoas com sintomas subiu a 238% em uma semana.

Em nota, o Hospital Unimed Araçatuba declarou que dobrou o número de colaboradores e médicos no pronto atendimento e que "também foi necessário aumentar o número de recepcionistas para abertura de cadastro dos pacientes, orientadores de público e porteiros para organizar as recepções e os locais em que os pacientes aguardam".

Informou ainda que já está em falta o teste RT-PCR, produzido por um laboratório particular, que os testes antígenos estão com baixo volume e que há possibilidade de falta do teste Swab Nasal para Covid-19 em todo i país, deixando os testes rápidos como principal alternativa.

Pedro Palocci, médico e presidente do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto, afirmou que, com o aumento do consumo nos Pronto Atendimentos, há dez dias está faltando Dipirona endovenosa. Já o Tamiflu está com o preço bem elevado.

O grupo registrou um salto de 150 para 300 pacientes atendidos por dia com problemas respiratórios. Segundo seu presidente, além de ampliar a equipe, inaugurou uma nova ala com 11 leitos --os pacientes com H3N2 e Covid-19 estão sendo mantidos em espaços separados diz Palocci.

Na rede pública, Ribeirão contratou mais funcionários e ativou nesta quinta uma tenda para complementar o atendimento na UPA Leste --apesar de estar aberta a todos os casos de emergência e urgência, redirecionou o atendimento de crianças para outras unidades da cidade. Araraquara também anunciou nesta semana que reabrirá seu hospital de campanha.

Em Bauru, a prefeitura e a Comissão de Saúde da Câmara definiram que todos os casos de síndrome respiratória serão atendidos a partir desta quinta em apenas um lugar, a UPA Geisel/Redentor. As outras quatro UPAs da cidade não atenderão mais pacientes com problemas respiratórios. O Samu da cidade, a partir da semana que vem, começará também a oferecer telemedicina (basta ligar 192, escolher a opção 2 e receber as orientações sem sair de casa).

Rio Preto montará um centro de atendimento respiratório no Complexo Swift, porque as UPAs estão todas lotadas, e está no processo de contratação de funcionários e de 40 mil testes antígenos.

Na rede pública de Presidente Prudente, os atendimentos nas UPAS subiram mais de 80% em relação ao mesmo período do ano passado (saltaram de 250 para 480 por dia), e a orientação é que as pessoas com sintomas procurem as unidades básicas de saúde para não sobrecarregar as UPAS com casos mais simples.

Com recordes de infecção e 232 casos novos confirmados de Covid-19 em apenas dois dias, a cidade de Batatais, na região de Ribeirão, passa ainda por uma investigação sobre o vazamento de dados de cem pacientes atendidos pela rede municipal.

A listagem, disponibilizada em um grupo de WhatsApp de funcionários, começou a circular nesta semana nas redes sociais e continha nomes completos, número de cadastro no SUS, endereço, data de teste e tempo de isolamento previsto.

Em nota, a Prefeitura de Batatais informou que "foi elaborado um boletim de ocorrência e instaurada sindicância interna para apurar o vazamento de informações sobre pacientes que testaram positivo para Covid-19 nos últimos dias".

Ainda na nota, repudiou "a ingerência dos dados que são exclusivamente para controle interno nas ações mantidas pela Vigilância em Saúde", ressaltando que tomará medidas administrativas sobre o vazamento.

Em Campinas, a prefeitura registrou alta na emissão de atestados sanitários virtuais, documento criado para que pessoas com sintomas gripais leves possam se ausentar do trabalho. A ideia é limitar a disseminação do vírus evitando que as pessoas circulem na rede de saúde.

Somente nos seis primeiros dias de janeiro foram emitidos 414 documentos, número superior aos 152 emitidos em dezembro, aos 206 de novembro e aos 171 de outubro. Só entre a quarta e quinta-feira foram cerca de 180 pedidos.

Mas a procura por atendimento e pronto atendimento em hospitais continua alta, com filas em alguns locais.

"O atendimento aumentou significativamente. Mas o que a gente tem observado é um aumento da procura, mas não uma evolução da gravidade como a gente viu nas outras ondas da Covid. É uma minoria que precisa de internação ou acompanhamento mais específico", disse a enfermeira do Departamento de Vigilância em Saúde, Priscilla Bacci Pegoraro.

De acordo com a Prefeitura de Campinas, até a quarta-feira (5) havia 24 pacientes adultos com Covid-19 internados em enfermaria. O dado aponta que não há confirmação de pacientes infectados com a variante ômicron na cidade.

Diante do quadro, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) autorizou a contratação emergencial de 163 profissionais da área da saúde. Sendo 28 médicos, 108 técnicos de enfermagem e 27 enfermeiros.

Piracicaba também enfrenta problemas em sua rede pública hospitalar após as festas de fim de ano.

Segundo a gestão municipal, foram realizados 2.682 atendimentos em hospitais públicos da cidade na quinta-feira, ante 1.377 no dia 24 de dezembro, véspera de Natal.

Nas últimas 24 horas, 80% dos leitos de enfermaria do SUS estavam ocupados por pacientes com Covid-19. Outros 37,5% leitos estavam ocupados na rede privada.

Em Sorocaba, entre dezembro e janeiro, a prefeitura separou quatro unidades de saúde sentinelas para atender exclusivamente quadros de síndrome gripal, com uma delas funcionando 24 horas, todos os dias.

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