Filha de bombeiro de Miami, de 7 anos, é encontrada morta em desabamento de prédio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número de mortos no desabamento do prédio em Surfside, ao norte de Miami Beach, na Flórida, subiu para 20 nesta sexta-feira (2), depois que as equipes de resgate encontraram dois corpos no meio dos destroços. Entre eles, o de uma menina de sete anos, filha de um bombeiro de Miami.

É a terceira criança a ser encontrada morta nos escombros do Champlain Towers South, que colapsou na madrugada de 24 de junho. A prefeita da região, Daniella Levine Cava, disse que a descoberta foi especialmente dura para os bombeiros, que têm trabalhado contra o relógio para tentar encontrar sobreviventes, algo menos provável a cada dia.

"Cada vítima que a gente retira é muito difícil", disse o chefe dos bombeiros da região, Alan Cominsky. "Na noite passada foi ainda mais, quando encontramos a filha de um colega. Como bombeiros, fazemos o que fazemos. É um tipo de chamado, sempre dizemos isso. Mas ainda nos custa muito."

Quando o corpo da garota foi retirado, policiais e bombeiros se abraçaram e choraram, conta Elad Edri, vice-comandante de uma equipe israelense que trabalha nos destroços.

No nono dia de buscas, ainda há 128 desaparecidos, que podem estar soterrados por toneladas de concreto pulverizado, metal retorcido e estilhaços de madeira. Até esta quinta-feira, o número era de 145. Levina Cava disse que a contagem é fluida porque ainda há moradores sendo descobertos em segurança em outros locais.

A busca por sobreviventes foi retomada no fim da tarde de quinta, após uma pausa por preocupações com a segurança no local.

Pelo menos 29 latino-americanos estão entre os desaparecidos. Na lista de mortos, figuram um venezuelano e uma uruguaia-venezuelana.

'Abri a porta e não tinha mais corredor', diz brasileira A maioria dos moradores estava dormindo no momento da tragédia. A empresária brasileira Deborah Soriano, 58, porém, estava limpando a casa após ter recebido amigas para jantar. De repente, sentiu uma explosão e foi jogada para o outro lado do cômodo.

Quando abriu a porta do seu apartamento, deparou-se com o vazio. "Não tinha ideia do que estava acontecendo, se era ataque terrorista, se era terremoto, não deu para captar", conta. "Fui no terraço e vi tipo uma neblina, não dava para enxergar nada. Quis sair, abri a porta do apartamento e não tinha corredor. Não tinha mais nada. Estava tudo despencado."

Deborah morava no 11º andar, e o apartamento ao lado do dela foi um dos que desmoronaram. Conseguiu sair pela escada de emergência, encontrou outros vizinhos na parte de baixo, mas as portas estavam bloqueadas pelo entulho.

"A gente achou um buraco na parede, se meteu por esse buraco, foi de buraco em buraco até conseguir sair perto da frente do prédio. Aí os bombeiros vieram com um monte de escadas. Foi bem louco, na verdade, não sei nem quanto tempo durou tudo isso."

Vários de seus vizinhos de andar estão desaparecidos. Ela acredita que estar acordada no momento da tragédia fez diferença para que conseguisse se salvar, pois estava alerta. Para manter a calma, Deborah ficou conversando pelo telefone com seu filho enquanto escapava.

Conseguiu trocar de roupa e pegar a bolsa. "Fui bem louca de sair de bolsa, mas pensei que se alguma coisa me acontecesse ao menos teria uma identificação ali comigo."

Erick de Moura, outro brasileiro que morava no prédio, salvou-se do desabamento ao atender ao pedido da namorada para que dormisse em sua casa naquela noite. Outra brasileira que era vizinha dos dois escapou porque estava visitando a mãe, mas aguarda notícias do marido e do filho de cinco anos, que estão desaparecidos.

Deborah morava no prédio havia seis anos. A prefeitura da cidade disse a ela e aos demais sobreviventes que não tenham expectativa de recuperar o que ficou dentro dos apartamentos. "O prédio está se mexendo muito. Ninguém quer correr o risco de mandar alguém lá dentro de novo", diz.

Ela está agora hospedada no apartamento de uma amiga e afirma que não se lembra de quase nada do que aconteceu até sair do prédio. "O choque foi muito grande. Acho que a ficha só vai cair daqui a algumas semanas."

Buscas foram retomadas O complexo Champlain Towers South, construído há 40 anos, tinha 12 andares e 136 apartamentos. O bloco com vista para o mar desabou, por motivos que estão sendo investigados.

Nesta quinta-feira (1), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, visitou Surfside acompanhado da mulher, Jill, para prestar condolências a parentes das vítimas e se reunir com autoridades locais. A Casa Branca determinou o envio de recursos e agentes para ajudar nas buscas. Biden não visitou a área do desabamento, mas compareceu ao memorial instalado a um quarteirão do local.

Apenas um adolescente foi retirado dos escombros, nas primeiras horas das operações de resgate. "Não se pode negar a situação atual: mais de seis dias se passaram desde o desabamento e as possibilidades de encontrar pessoas com vida são escassas", disse Elad Edri.

Um relatório sobre o estado do edifício indicava já em 2018 "danos estruturais significativos", bem como "fissuras" no estacionamento do edifício. A divulgação de uma carta da presidente da associação de coproprietários datada de abril alimentou o debate sobre se o desastre poderia ter sido evitado.

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