Filha de Queiroz repassou 80% dos salários ao pai, aponta Coaf

Nathália repassou ao pai, Fabrício Queiroz, 80% dos salários que recebeu como assessora de Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução/Facebook)

Movimentações financeiras da conta corrente de Nathália Melo de Queiroz, filha de Fabrício Queiroz e ex-assessora do presidente Jair Bolsonaro quando ele era parlamentar na Câmara dos Deputados, indicam que ela repassou ao pai o equivalente a 80% dos salários que recebeu como assessora do agora presidente.

As informações são do jornal O Globo.

A movimentação consta em um novo relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviado ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

Segundo os documentos analisados pelo O Globo, entre junho e novembro do ano passado, a conta de Nathália recebeu o montante de R$ 101 mil, oriundos do salário na Câmara e outros rendimentos. Deste total, ela repassou para seu pai R$ 29,6 mil, o equivalente a 80% do total de R$ 36,6 mil que ganhou como assessora de Jair Bolsonaro.

De setembro de 2007 até dezembro de 2016, Nathália foi funcionária do então deputado Flávio Bolsonaro (PSL) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Nesse período, foi da liderança do PP, do setor de notas taquigráficas e, a partir de 2011, servidora do gabinete de Flávio, agora senador. Depois disso, ela foi nomeada para o gabinete do então deputado Jair Bolsonaro na Câmara — tendo sido exonerada em outubro.

INCOMPATÍVEL

O novo relatório do Coaf classificou a movimentação financeira de Nathália no período como “aparentemente incompatível com a capacidade financeira da cliente”, segundo o jornal O Globo. Além disso, o órgão aponta como ocorrência ainda o “uso do dinheiro em espécie” para “inviabilizar a identificação da origem e real destino dos recursos”. Nesse período, ela efetuou 23 saques em dinheiro no total de R$ 11.950.

O documento do Coaf explica que 75% do valor que entrou na conta de Nathália foi por meio de transferências eletrônicas, o que demonstraria o trabalho dela fora da política.

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Nathália atuou como personal trainner no Rio de Janeiro na mesma época em que era lotada em Brasília. Ela foi registrada como funcionária de três academias no Rio, segundo um relatório da Divisão de Laboratório de Combate à Lavagem de Dinheiro e à Corrupção do MP.

Entre 2011 e 2012, trabalhava na Norte Fitness Center. Na Sports Solution Academia entre 2016 e 2017 e há um vínculo aberto ainda com a Bodytech. Mesmo assim, o gabinete de Jair Bolsonaro atestou oficialmente sua frequência prevista em lei de 40 horas semanais sem jamais faltar ou tirar licença, como informou a rádio CBN.

OUTRO LADO

Procurado pela reportagem do O Globo, o Palácio do Planalto não retornou. O advogado Paulo Klein, que atua na defesa de Queiroz e suas filhas, diz que Nathália trabalhava com serviços de mídias sociais, à distância, e que os repasses para o pai foram combinados já que Fabrício Queiroz geria os recursos da família.

RELEMBRE O CASO

Queiroz, pai de Nathália, é investigado pelo MP do Rio pela suposta prática de “rachadinhas” na Alerj. O esquema acontece quando servidores devolvem parte dos salários aos deputados que os nomearam.

Em fevereiro, Queiroz confirmou em depoimento por escrito ao MP que coordenava a “rachadinha” de servidores do gabinete de Flávio Bolsonaro e que, sem conhecimento do deputado, ele usava esse dinheiro para conseguir contratar outros colaboradores.