Filha diz que idoso com fêmur fraturado foi tratado como paciente de Covid-19 em MG

Redação Notícias
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Teotônio, de 75 anos, não teve o atendimento adequada na UPA - Foto: Arquivo Pessoal
Teotônio, de 75 anos, não teve o atendimento adequada na UPA - Foto: Arquivo Pessoal
  • Idoso foi internado na ala para pacientes com Covid-19, apesar de ter apenas uma fratura no fêmur

  • Sua filha, Cristiamara, criticou o atendimento dos funcionários da UPA, a quem acusou de displicência

  • Somente após teste para coronavírus dar negativo, o senhor de 75 anos teve a cirurgia ortopédica liberada

Um idoso de 75 anos foi tratado como paciente de Covid-19 em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Belo Horizonte, apesar de ter apenas uma fratura no fêmur. A acusação foi feita pela filha dele, Cristiamara Giordani, ao UOL.

Teotônio Souza da Fonseca deu entrada no último dia 7 na UPA Barreiro, na capital mineira, após sofrer um acidente no lar de idosos em que vive. Ele foi submetido a uma série de exames e, ao verificar que seu pulmão apresentava saturação de oxigênio a 76%, a equipe médica achou melhor interná-lo na área para contaminados pelo coronavírus.

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O que os funcionários da UPA não sabiam é que Teotônio possui problemas pulmonares por conta de um AVC sofrido em 2013, que também limitou seus movimentos e reduziu sua capacidade cognitiva.

Quando Cristiamara chegou ao centro médico, seu pai já estava internado entre pacientes com Covid-19, mesmo sem nenhum exame comprovando que o idoso havia sido contaminado. Ela surpreendeu-se e, em entrevista ao UOL, acusou os funcionários de displicência.

Exame mostra a fratura no fêmur do idoso - Foto: Arquivo Pessoal
Exame mostra a fratura no fêmur do idoso - Foto: Arquivo Pessoal

"Eles colocaram meu pai na ala de Covid mesmo eu achando que não era necessário. Quando saiu a vaga no hospital para vaga ortopédica, viram que ele estava com oxigênio e decidiram mantê-lo. Meu pai teve uma tosse, a médica estava perto na hora e disse que meu pai estava com Covid. Pediram um raio-X do tórax. Meu pai tem o pulmão comprometido, não sabemos o que é, e como a upa não tinha equipamentos necessários para confirmar a doença, transferiram ele para o setor de Covid", declarou.

Filha diz ter sido vítima de bullying da equipe médica

Mesmo sem autorização da equipe médica, Cristiamara acompanhou seu pai na enfermaria, onde diz ter sofrido bullying dos funcionários. “Diziam que se eu estava ali era porque eu tinha Covid, debocharam da situação e da capacidade do meu pai", relatou.

Cristiamara, ao lado do pai, criticou o atendimento na UPA - Foto: Arquivo Pessoal
Cristiamara, ao lado do pai, criticou o atendimento na UPA - Foto: Arquivo Pessoal

Como o resultado do teste RT-PCR demoraria sete dias úteis para ficar pronto na UPA, ela tentou buscar um particular, mas, diz, foi impedida pela equipe sob a justificativa de que "se o paciente está sob os cuidados do SUS, nele deve seguir".

Cirurgia foi liberada com muito atraso

Transferido para o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro no último domingo, Teotônio seguiu tratado como paciente de Covid-19. Para piorar, segundo Cristiamara, o hospital sequer foi avisado de que o idoso estava com o fêmur fraturado.

Somente na última terça-feira, quando o resultado do teste para Covid-19 deu negativo, Teotônio passou a ser tratado como paciente ortopédico. Na manhã desta quinta, ele foi acolhido pelo centro cirúrgico para a operação que deveria ter sido feita desde o início.