Filha de ex-namorada de Jairinho sofreu lesão no braço, mostram prontuários médicos usados como provas contra o vereador

Paolla Serra
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Quatro prontuários médicos, analisados por peritos do Instituto Médico Legal (IML), compõem as provas técnicas que embasaram o indiciamento do médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), pelo crime de tortura contra a filha de uma ex-namorada, que atualmente tem 13 anos. O inquérito, concluído pelo delegado Adriano Marcelo Firmo França, titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), mostra que a vítima esteve em unidades de saúde se queixando de lesões no braço, ao longo de 2011. Um novo pedido de prisão preventiva contra o parlamentar foi feito, na última sexta-feira, dia 30, pelo caso.

De acordo com os documentos, aos quais O GLOBO teve acesso, a menina deu entrada em um hospital, em 24 de abril daquele ano, se queixando de dores no ombro há dois dias. Em 12 de maio, ela novamente reclamou no ambulatório de dores no braço há duas semanas, tendo sendo diagnosticada uma contusão, que a fez imobilizar o cotovelo. Nesse laudo, a médica legista Ana Paula Catalano explicou que a lesão foi provocada por ação contundente, mas por “desconhecer a dinâmica do fato”, não havia elementos para responder se fora produzida por emprego de tortura ou meio cruel.

No dia 16 de maio, um ortopedista pediátrico atestou que a criança, atendida por ele ainda afirmando ter dores no cotovelo e no ombro, estava com “grande tuberosidade” no úmero - uma protuberância no osso do braço. Já no dia 23 de maio, a criança retornou a unidade de saúde novamente com dor no “membro superior esquerdo”.

Ao ser preso por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca), no dia 8 de abril, Jairinho negou ter agredido a filha da ex-namorada. O vereador disse que eles tinham uma relação “amistosa” e não mantinha com ela “grau de intimidade”, negando que tenha saído sozinho com a criança. O vereador contestou as informações dadas pela cabeleireira e por sua mãe de que teria torcido o braço dela, dado “mocas” em sua cabeça e colocado um saco em seu rosto para sufocá-la.

Em depoimento na DCAV, a avó da criança disse que a neta chegou com o braço imobilizado e Jairinho disse que ela teria se lesionado durante as aulas de judô. O professor da academia, também na especializada, negou esse episódio. A avó ainda disse ter estranhado o comportamento da neta quando ela a agarrou e, chorando e vomitando, pediu para que não a deixasse sair sozinha com Jairinho. Cerca de oito meses depois, ao assistir a um programa de televisão que abordava casos de violência doméstica, a menina admitiu as agressões que sofrera.

Na delegacia, a menina contou também ter tido a cabeça batida pelo então padrasto contra a parede do box de um banheiro e até ter sido pisada por ele nos fundos de uma piscina para que não conseguisse levantar e respirar. A avó da criança, relatou que, ao questionar o vereador sobre um machucado na testa da menina, ele respondeu que foi o ferimento foi provocado por uma batida no console do carro após uma freada brusca durante a ida a um shopping.

Outro inquérito aberto na DCAV investiga agressões ao filho da estudante Débora Melo Saraiva, atualmente com 8 anos. Em depoimento, a moça contou que, em uma ocasião, o menino havia quebrado o fêmur ao sair sozinho com o então namorado. Jairinho teria afirmado que ele caiu ao prender o pé no cinto de segurança quando descia do carro. A mãe afirmou ter estranhado o fato de o filho não ter chorado em nenhum momento, mesmo diante da lesão grave.