Filha de Ilka Soares relembra os últimos dias com a mãe: 'Para ela, tudo sempre ia ficar bem'

Filha da atriz Ilka Soares (falecida no sábado, dia 18, de câncer de pulmão) e do empresário e diretor de TV Walter Clark (morto em 1997), a ex-modelo Luciana Clark mora há 32 anos em Amsterdam. Entre os dias 27 de abril e 4 de junho, ela esteve no Rio, para visitar a mãe, que não via há anos.

— Fui justamente porque sabia que ela não estava OK, queria fazer uma surpresa antes do aniversário [Ilka faria 90 anos esta terça-feira, dia 21] — conta Luciana, que na chegada encontrou a mãe internada no hospital, “reclamando que queria sair”, e depois da alta, passou a ir todo dia para a casa de Ilka, junto com o sobrinho, o estilista Thomaz Azulay.

Foram dias que mãe e filha passaram tomando vinho, comendo sushi (“que ela adorava”) e conversando. Um tempo que, segundo Luciana conta em depoimento ao GLOBO, ela se sentiu mais próxima de Ilka do que em toda sua vida.

— Minha mãe sempre foi uma pessoa avant garde, ela começou muito cedo na carreira e, em toda a trajetória de vida, nunca quis depender de ninguém, principalmente de homens. E isso foi uma coisa que ela passou para mim e eu, consequentemente, passei para as minhas três filhas [de 25, 23 e 20 anos] — revela Luciana Clark, que hoje trabalha em uma empresa de software. — Uns dois anos atrás a minha filha do meio virou para o meu namorado e disse: “uma coisa que a minha mãe ensinou é que eu sempre tenho que ser independente e trabalhar!” Foi algo que a Ilka me passou.

Segundo Luciana, para sua mãe “não tinha tempo ruim, tudo sempre ia ficar bem”:

— Na última vez em que a gente conversou mesmo foi uma semana antes de ela morrer. Eu já estava aqui [na Holanda], ela ainda estava lúcida e disse: “Eu acho que não vou durar muito, não.” Eu me assustei e comecei a chorar. E ela falou: “Vai ficar tudo bem, não vamos falar sobre isso.” Foi uma conversa que me deu paz de espírito, apesar de as coisas terem sido muito difíceis por eu estar longe.

A filha conta que, num desses últimos dias com a mãe no Rio, ela abriu, pela primeira vez, uma caixa de charutos cheia de fotos e cartas de amor de Walter Clark.

— Meu pai era mulherengo, mas era muito romântico — entrega. — Minha mãe foi a mulher que mais aturou ele, deve ter tido ali uma química muito boa. Ela me contou o começo da história, de quando ela ainda estava na TV Rio, eles se conheceram e ela se apaixonou. Foi uma paixão muito bacana e eu sou o resultado disso, fico muito feliz de ter sido a marca da história dos dois.

Luciana conta que eles se separaram depois de uma traição de Walter, “mas eles ficaram amigos e para mim isso era muito reconfortante”:

— Ela ficou muito mal quando eles se separaram, mas deu a volta por cima. A Ilka era uma pessoa extremamente forte, uma parede de pedra. E, na nossa cultura machista, isso assusta os homens. Mas eu acho que ela queria ser cuidada.

Alguns anos depois da separação, Ilka casou com um homem mais jovem, o baiano Nelson Fiúza. O que ecoou a Celeste, seu papel na novela “Locomotivas”: o de uma mulher que declara sua paixão para um jovem, Netinho (vivo por Denis Carvalho).

— Todo mundo vibrou na novela. Mas quando foi na vida real, as pessoas agiram de forma diferente — recorda-se Luciana.

Quebrar padrões – e pagar o preço por isso – foi algo que Ilka Soares fez a vida inteira. Dos 17 anos, quando estrelou, seminua, no filme “Iracema”, aos 52, quando posou nua para a Playboy.

— Eu tinha 19 anos e era modelo quando minha mãe fez as fotos, um ensaio lindíssimo com o [fotógrafo J.R.] Duran — conta Luciana. — Logo depois, a Playboy veio me perguntar se eu também não queria posar também para a revista. Mas não tinha a menor condição! Eu achava muito mais legal você ser uma mulher de 50 se mostrando do que uma menina de 19, com tudo em cima. Qual seria a graça de eu fazer aquilo?

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