Filha de executada no Complexo do Alemão critica PM: 'É isso? Entrar e matar?"

Mulher morta no Complexo do Alemão: Jenifer conta que a mãe era uma pessoa muito querida e sempre procurava ajudar as pessoas - Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo
Mulher morta no Complexo do Alemão: Jenifer conta que a mãe era uma pessoa muito querida e sempre procurava ajudar as pessoas - Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo

As filhas da desempregada Letícia Marinho Salles, de 50 anos, morta dentro de um carro com um tiro no peito no Complexo do Alemão durante a operação desta quinta-feira, clamaram por justiça, citaram o despreparo da polícia e disseram que o sentimento é de dor e revolta.

As duas estiveram no Instituto Médico-Legal, no Centro do Rio, na manhã desta sexta-feira, para liberar o corpo dela. Letícia Marinho Salles era moradora do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, mas estava no Alemão quando o tiroteio começou. Ela era mãe de três filhos, que já haviam perdido a avó há menos de uma semana.

— O sentimento é de dor, revolta e injustiça. Minha mãe era uma mulher de 50 anos que temia tanto pela justiça. Ela foi covardemente alvejada sem passar qualquer tipo de perigo. Ela não fez nada e aconteceu essa covardia por despreparo da polícia. Eu quero que seja feita a justiça. Não desejo isso que eu estou sentindo hoje para ninguém. Foi tirado um pedaço de mim. É isso que o governador tem para nos oferecer? Entrar e matar? — indagou Jenifer Salles.

Jenifer conta que a mãe era uma pessoa muito querida e sempre procurava ajudar as pessoas:

— Ela ajudava todo mundo. Sempre acolheu a todos. Ela era amada por onde passava. Minha mãe colocava pessoas dentro da casa dela para ajudar, mesmo sem conhecer. A única coisa que eu cobro do governador Cláudio Castro é justiça. Quero saber quem fez isso. O Estado foi totalmente negligente — afirmou.

Jenifer disse que não recebeu apoio do governador e busca uma resposta das autoridades:

— Ele nem se prontificou a falar nada, só prometeu. Nós queremos uma resposta.

Jéssica Salles, outra filha de Letícia, disse que a mãe estava desempregada, mas fazia diversos serviços e pretendia trabalhar como vigilante:

— Mulher guerreira, criou todos os filhos. Estudou e trabalhou desde muito cedo. Foi criada na Vila Cruzeiro. Vendia quentinha, costurava. Agora ela tinha acabado de conseguir documentos para trabalhar de segurança.

Na manhã desta sexta-feira, o porta-voz da Polícia Militar, o tenente-coronel Ivan Blaz, afirmou, entrevista à TV Globo, que Letícia Salles, era amiga pessoal de sua mãe:

— A senhora Letícia Marinho era amiga da minha mãe, aqui no Recreio. Minha mãe ontem ficou muito abalada com a morte de sua amiga. Eu já estava muito triste com a morte do cabo De Paula que deixa dois filhos autistas. Como essa mãe vai tocar a vida sozinha sem o seu marido agora? Eles dois acabam por representar um custo nessa operação. Não há resultado operacional que vá mostrar, que seja comemorado com a morte desses dois inocentes — afirmou o porta-voz

Já Denílson Glória, que namorava Letícia, disse ontem que está desnorteado com a morte, que ocorreu ontem em seu carro.

— Estou desnorteado. A mãe dela acabou de morrer por velhice, e hoje (ontem) aconteceu isso. Ela estava na minha casa, na Penha, e nós viemos para cá (Alemão) tomar café na minha tia. Nessa hora não tinha disparo. Nós paramos em um sinal e, logo depois, meu carro foi alvejado. Ela foi atingida no peito — contou.

A Delegacia de Homicídios apura as mortes de Letícia e do cabo da Polícia Militar Bruno de Paula. Embora Denilson tenha apontado policiais como os responsáveis pelos tiros, nem a PM nem a Polícia Civil informaram ontem se algum agente envolvido na operação prestou depoimento ou teve as armas apreendidas.

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