Filha que deu golpe milionário na mãe recebia mesada de R$ 10 mil

Entre itens roubados no golpe milionário que Sabine Bogchi aplicou na mãe está uma obra de Tarsila do Amaral, Sol Poente, avaliada em R$ 250 milhões. (Foto: Reprodução)
Entre itens roubados no golpe milionário que Sabine Bogchi aplicou na mãe está uma obra de Tarsila do Amaral, Sol Poente, avaliada em R$ 250 milhões. (Foto: Reprodução)
  • Sabine Bogchi também tinha acesso a um cartão de crédito

  • Mãe conta que filha sofria de problemas psicológicos graves

  • Delegado afirma que idosa sofreu várias violências

Geneviève Bogchi, que sofreu um golpe de R$ 725 milhões da própria filha, contou à polícia mais detalhes sobre Sabine Bogchi. De acordo com seu depoimento, a filha sofria de problemas psicológicos graves. Sem nunca trabalhar, ela recebia uma mesada de R$ 10 mil e acesso a um cartão de crédito.

Entre os episódios que passou com Sabine, ela conta que a filha levava cachorros da rua para casa e os soltava contra as visitas. Ela diz que a mulher também “passou a ser agressiva”.

Enquanto foi mantida isolada em sua casa, conta que foi ameaçada por Sabine com uma faca. Pelos crimes, as autoridades prenderam Sabine, sua sua namorada, Rosa Stanesco Nicolau, além do filho e uma prima de Rosa.

Enquanto mantinha a mãe em cárcere privado, Sabine impediu que a mãe se comunicasse com outras pessoas, inclusive cortando os fios dos telefones e trocando os segredos das portas.

O delegado responsável pelo caso, Gilberto Ribeiro, que é titular da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade, comentou a situação vivida pela idosa nesta quinta-feira (11). Segundo ele, Rosa se passava por uma “vidente” e se chamava de “Valéria de Oxóssi”.

“Em ligação de áudio, Valéria mandava [Sabine] matar a mãe, dizendo que ia ficar com tudo, e que aquilo tudo ia ser delas”, revelou em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo.

“Mata essa velha!”, teria dito à namorada em mais de uma ocasião.

Como foi o golpe?

Para conseguir extorquir dinheiro da mãe, a filha contratou pessoas para se passarem por videntes e venderem trabalhos espirituais à idosa.

Segundo a Polícia Civil, a filha elaborou o plano no começo de 2020. A primeira etapa foi contratar uma mulher que deveria abordar a vítima na rua para lhe dizer que a morte de sua filha estava próxima.

Ela teria alegado ser vidente para levar a idosa para outras duas pessoas, que se passariam por uma cartomante e uma mãe de santo. As comparsas, então, iriam sugerir o pagamento de um trabalho para salvar a filha. Em um intervalo de 15 dias, a idosa transferiu R$ 5 milhões aos golpistas.