Filho de 13 anos de vítima de feminicídio na Rocinha presenciou o crime: 'O Rios matou a minha mãe'

Em depoimento dado à Delegacia de Homicídios da Capital, o irmão de Rios Loureiro Sablich — que confessou ter matado a tiros a ex-mulher, Daniela Soares, de 29 anos, na Rocinha, nesta segunda-feira — contou que foi avisado do crime por um dos filhos da vítima, que presenciou o assassinato e bateu à porta de sua casa logo após o feminicídio. Segundo depoimento de Mário Sablich à Polícia Civil, o garoto, de 13 anos, pediu ajuda dizendo: "O Rios matou a minha mãe". O trecho do depoimento foi citado na decisão da juiza Mariana Tavares Shu, que converteu, nesta terça-feira, a prisão de Rios Sablich em preventiva. Também nesta terça-feira, a Justiça manteve a prisão de Wendel Luka da Silva, acusado de outro feminicídio também na Rocinha, menos de 24 horas antes do caso de Daniela.

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Rios se entregou na Cidade da Polícia nesta segunda-feira, horas após o crime, teve a arma usada apreendida e também foi preso em flagrante. O feminicídio é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Daniela tinha 29 anos e foi resgatada ainda com vida pelo Corpo de Bombeiros à 1h55 em casa. Ela foi levada para o Hospital Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos. O caso ocorreu menos de 24 horas depois do assassinato da auxiliar de serviços gerais Carmem Dias da Silva, de 29 anos, morta a facadas pelo ex-namorado, Wendel Luka da Silva Virgílio, de 25, também na comunidade de São Conrado, Zona Sul do Rio.

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Em audiências realizadas nesta terça-feira, a Justiça decidiu manter as prisões de Rios Sablich e de Wendel Virgílio. Ambos tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventiva e seguirão presos enquanto aguardam condenação.

Em trecho da decisão, a juíza Mariana Tavares Shu, que decidiu pela prisão de Rios Sablich, destacou a natureza cruel do assassinato e ressaltou que não possuir antecedentes, neste caso, não era garantia de direito a responder em liberdade.

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"A frieza do custodiado é fator que pode contribuir para que elas se sintam constrangidas para prestar depoimento, sabendo que o autor de um crime de tamanha gravidade estará solto no mesmo ambiente. A primariedade, por si só, não confere o direito à liberdade. Além disso, não restaram comprovados residência fixa e atividade laborativa lícita. Ademais, as condições pessoais do requerente, como o fato de possuir residência fixa e emprego, não afasta qualquer dos requisitos autorizadores para a decretação ou manutenção da prisão preventiva", afirmou trecho da decisão.

Entre domingo e segunda-feira três mulheres foram vítimas de feminicídio em 48 horas em comunidades do Rio. De acordo com as investigações da Polícia Civil, no sábado, a idosa Helena Maria da Costa foi ferida por um homem a quem deu abrigo, no Morro dos Prazeres, na Zona Norte da cidade; no domingo, a auxiliar de serviços gerais Carmem Dias da Silva foi golpeada pelo namorado, na Rua 2, Rocinha, na Zonal Sul. E nesta segunda-feira, Daniela Soares foi baleada na cama pelo ex-companheiro também na comunidade. Os três criminosos foram presos em flagrante.