Relação entre Brasil e China estremece por conta da Covid-19

O presidente Jair Bolsonaro com seu filho Eduardo no palácio da Alvorada em 12 de março

O governo brasileiro pediu nesta quinta-feira uma "retratação" do embaixador chinês no Brasil por publicações "ofensivas" contra o presidente Jair Bolsonaro, em meio a uma polêmica que começou quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do chefe de Estado, culpou a China pela pandemia de Covid-19.

Eduardo Bolsonaro acusou na véspera a China de ter ocultado informação vital sobre o novo coronavírus e comparou essa atitude com a das autoridades soviéticas no desastre nuclear de Chernobyl em 1986.

"Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. Mas uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução", escreveu no Twitter o filho do presidente.

A China, o primeiro parceiro comercial e grande investidor do Brasil, não demorou para responder.

"Suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos", postou na mesma rede social a embaixada da China em Brasília.

"A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês", escreveu no Twitter o embaixador chinês Yang Wanming.

O filho de Jair Bolsonaro integrou a comitiva que acompanhou o presidente a Miami, de 7 a 10 de março, durante a qual o dirigente brasileiro se reuniu com Donald Trump, que irritou recentemente Pequim ao chamar o novo coronavírus de "vírus chinês".

O embaixador chinês retuitou uma mensagem de outro usuário da Internet, que descreveu a família Bolsonaro como "grande veneno do Brasil", mas o post foi apagado logo depois.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, respondeu nesta quinta com um comunicado publicado em suas redes sociais.

Araújo afirma que as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que teve seu nome sugerido para ocupar a embaixada do Brasil em Washington, "não refletem a posição do governo brasileiro", mas considerou "inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao chefe de Estado do Brasil e seus eleitores".

"Eu já comuniquei ao embaixador chinês a insatisfação do governo brasileiro com seu comportamento. Temos a a expectativa de uma retratação por sua repostagem ofensiva ao chefe de Estado", acrescentou.

"Vou conversar com o deputado Eduardo Bolsonaro e com o embaixador chinês, tentando promover um entendimento recíproco", concluiu o ministro das Relações Exteriores..