Filho de Cabral fugiu de casa minutos antes da chegada da Polícia Federal

Imagens exibidas neste domingo pelo Fantástico, da Rede Globo, mostram José Eduardo Neves Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, saindo do condomínio onde mora na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, minutos antes de a Polícia Federal chegar para prendê-lo. Ele deixou o prédio às 5h28 da última quarta-feira, de acordo com a reportagem. No dia seguinte, quando já era considerado foragido, ele se entregou.

O filho do ex-governador é acusado de ser um dos gerentes da organização criminosa que causou um prejuízo de R$ 2 bilhões à União ao sonegar impostos na venda de cigarros. O chefe do grupo, diz a PF, é Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que está foragido nos Estados Unidos. Ele também seria um dos administradores da Companhia Sulamericana de Tabacos, em Caxias, que fornecia os maços para o esquema. O mandado de prisão dele foi incluído na difusão vermelha da Interpol.

A investigação mostra a relação de intimidade entre Adilson e José Eduardo. Numa mensagem de texto obtida pelo Fantástico, o filho do ex-governador parecia satisfeito com sua parceria com Adilson. “Você ganhou um fã e soldado de verdade. Você é sujeito homem na essência da palavra. Do mesmo jeito que eu aprendi. Maior honra estar convivendo com você”, escreveu. A PF diz que ele chamava Adilson de chefe ou patrão. Os dois teriam se conhecido quando José Eduardo promoveu uma festa milionária para Adilson no Copacabana Palace.

O filho do ex-governador, que está preso junto com o pai numa unidade da PM, é acusado pela PF de emitir notas fiscais falsas, de determinar que seguranças extorquissem dinheiro e ameaçassem comerciantes para vender apenas os cigarros da Sulamericana e de ocultar e dissimular valores, além de enviar dinheiro ao exterior.

A investigação afirma que a quadrilha tinha participação de 27 pessoas. Dessas, 14 foram presas. O grupo era dividido em cinco níveis: chefia, gerência, operadores, segurança e o setor de lavagem de dinheiro. Quinze PMs e um agente federal, que está foragido, são acusados de ligação com o esquema. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens dos acusados no total de R$ 300 milhões.

A defesa de José Eduardo disse ao Fantástico que as acusações são absurdas e que a inocência dele ficará provada. O advogado de Adilson afirmou que ele sempre atuou licitamente na distribuição de cigarros e que é inverídica a sua vinculação a qualquer organização criminosa.