Filho de Cabral provoca Paes em vídeo com crítica à demolição de 'puxadinhos' em quiosques: 'Covardia'

Após a prefeitura do Rio remover instalações ilegais em três quiosques na Barra da Tijuca, Zona Oeste, nesta quarta-feira, Marco Antônio Cabral, que é filho do ex-governador Sérgio Cabral, divulgou um vídeo em suas redes sociais criticando a ação do município. Ele disse ter ficado "chocado, triste, estarrecido" com o que chamou de "covardia" por parte da prefeitura.

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— Muita covardia da prefeitura, na minha opinião um grande absurdo o que aconteceu — disse Marco Antônio. — A prefeitura vai de madrugada e quebra os estabelecimentos com retroescavadeiras. Que isso? Que absurdo é esse? A gente sabe que as pessoas que têm quiosques têm o verão como período de maior venda. A gente está no meio do verão no Rio de Janeiro. Que covardia é essa? Que sanha para aparecer na televisão é essa da equipe da prefeitura? Que sanha por notícia!

O deputado federal não cita o prefeito Eduardo Paes nominalmente. Recentemente, durante posse dos novos secretários do governador Cláudio Castro, em 2 de janeiro, Marco Antônio Cabral deu um abraço em Paes ao encontrá-lo no evento.

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Presidente do MDB na capital fluminense, o parlamentar convocou os vereadores da cidade "a tomarem uma atitude em relação a esse fato horroroso". Nominalmente, ele cita o presidente da Câmara dos Vereadores, Carlo Caiado (PSD). Marco Antônio Cabral também diz que existem outras maneiras de se adequar o lugar ao espaço público, como a aplicação de multas.

— É super normal, tanto na cidade do Rio, como fora da cidade do Rio, no Brasil: Sul, Nordeste, São Paulo, fora do país, que os quiosques tenham estrutura para as pessoas se alimentarem e sentarem com suas famílias. E logo na orla, que é o ambiente mais democrático e mais plural da nossa cidade — observa.

'Puxadinhos' removidos

De acordo com a prefeitura, os "puxadinhos chiques" dos quiosques Clássico Beach Club, Krab Beach Cllub e o K08, que ficam lado a lado, ocupavam dois mil metros quadrados da praia indevidamente, com estruturas fixas em faixa de área destinada à recuperação de vegetação de restinga e aos banhistas.

A operação de remoção foi uma ação conjunta das secretarias municipais de Ordem Pública e de Meio Ambiente e Clima, além da subprefeitura da Barra. A Secretaria de Meio Ambiente já havia notificado e autuado os locais anteriormente, mas o prazo de adequação das instalações não foi acatado pelos proprietários.

Responsável administração dos quiosques, a concessionária Orla Rio informa que "as irregularidades encontradas nos três quiosques que sofreram intervenção da prefeitura, nesta quarta, 18/01, referem-se apenas à área ocupada por eles na parte da areia relacionada à prática de kitesurf, onde existe um decreto próprio.

A empresa ressalta que essa área não tem qualquer relação com a sua concessão, mas que já havia tomado medidas administrativas junto aos quiosques para regularização. Como a concessionária não tem poder de polícia, as medidas legais são tomadas e, em casos extremos, há demanda judicial para reintegração de posse ou quebra do contrato, caso se faça necessário.

Ao GLOBO, Milla Ferreira — que é proprietária do K08 — disse que foi surpreendida pela ligação do segurança do quiosque na madrugada desta quarta-feira, falando sobre a remoção. Segundo ela, a Secretaria de Meio Ambiente fez uma vistoria no local há cerca de um mês, mas nunca deu retorno sobre a inspeção.

— Não avisaram nada. Destruíram tudo e foram embora. Não existe uma comunicação clara sobre o que deve ou não ser feito Estamos devastados — disse Milla, que não recebeu qualquer notificação da prefeitura. — Estamos lá há 25 anos, com projetos de proteção de meio ambiente, de limpeza nas praias. Adotamos a restinga em volta do quiosque, que tinha vários mendigos morando ali antes de a gente existir. A gente faz a diferença.