Filho de mulher envolvida no caso Evandro foge de penitenciária em MS

Corda artesanal utilizada por Luccas Abagge para fugir da penitenciária estadual de Dourados — Foto: Agepen/Divulgação
Corda artesanal utilizada por Luccas Abagge para fugir da penitenciária estadual de Dourados — Foto: Agepen/Divulgação

Luccas Abagge, 32 anos, fugiu da Penitenciária Estadual de Dourados (MS) na madrugada deste sábado.

Ele é filho de Beatriz Abagge, uma das pessoas acusadas pelo crime que ficou conhecido como o "Caso Evandro", no litoral do Paraná na década de 1990.

Ele estava no Raio 2 da penitenciária - onde ficam os presos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

De acordo com a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), ele utilizou uma corda improvisada feita com pedaços de pano. Para escapar, ele passou por dois alambrados e escalou uma muralha da unidade prisional, considerada de segurança máxima.

A entidade informou que vai abrir uma investigação para apurar as circunstâncias da fuga.

Abagge foi preso em junho deste ano, depois de entrar no Brasil por Ponta Porã vindo do Paraguai. O carro que ele conduzia estava com os faróis apagados e chamou a atenção da Polícia Militar, que acabou parando o veículo. Na ocasião, Abagge apresentou um documento falso com o nome de Evandro Oliveira Ribeiro. Ao consultar o sistema da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), os agentes se depararam com a foto de outro condutor.

A PM verificou a identidade verdadeira de Abagge e constatou que havia um mandado de prisão contra ele no estado do Paraná. Ele foi condenado, em julho de 2019, a 32 anos de prisão por homicídio qualificado e tentativa de homicídio por assassinar um adolescente a tiros e ferir outro, em Curitiba, em 2015.

Abagge foi então conduzido para a 1ª Delegacia de Polícia de Ponta Porã e depois encaminhado para a penitenciária estadual de Dourados.

O caso Evandro

Evandro Ramos Caetano foi morto em 1992 aos seis anos de idade na cidade de Guaratuba, litoral do Paraná. Na época de sua morte, a cidade foi envolvida em uma história macabra que envolvia sete acusados e ritual de magia negra. O corpo da criança foi encontrado após cinco dias de seu desaparecimento, sem os órgãos e com as mãos e os dedos cortados.

Celina e Beatriz Abagge, esposa e filha do então prefeito da cidade, Aldo Abagge, foram acusadas de encomendar a morte da criança em um ritual religioso. Elas chegaram a confessar o crime, mas depois ficou provado que a confissão foi feita sob tortura e ameaças.