Filho diz que vai entrar na Justiça para apurar morte da mãe em hospital de Duque de Caxias

Rodrigo de Souza
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Filho de uma das mais de 43 mil vítimas da Covid-19 no Estado do Rio, o estudante de técnica de enfermagem Carlos Eduardo Silva pretende acionar a Justiça para apurar as circunstâncias da internação e da morte da mãe no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. A dona de casa Sonia Bias da Silva, de 64 anos, morreu na última quarta-feira, depois de sofrer com a falta de medicamentos para intubação na UTI Covid-19 da unidade de saúde, onde ela deu entrada inicialmente para fazer uma cirurgia ortopédica.

— Vou correr atrás disso. Quero esclarecer a morte dela, que, para mim, foi muito suspeita — disse Carlos Eduardo.

Segundo o filho, Sonia sofreu com a escassez de sedativos e bloqueadores neuromusculares do “kit intubação”, tendo sido medicada com coquetel improvisado, como o EXTRA mostrou na edição de 15 de abril. Para Carlos, ela foi infectada no hospital e morreu em decorrência da falta de remédios.

O drama começou em 25 de março, quando levou um tombo e machucou o ombro. Seis dias depois, ela foi operada no Adão Pereira Nunes e teve alta em 2 de abril. Segundo o filho, Sonia saiu do hospital “apagada” e passou dias bastante grogue. No dia 5, voltou ao hospital e foi internada com a glicose muito alta. Uma tomografia apontou que a paciente estava com Covid-19, o que foi confirmado com o teste RT-PCR.

Sonia foi intubada no dia 11. Dois dias depois, uma médica entrou em contato com Carlos para dizer que o estado de sua mãe tinha se agravado ainda mais, em decorrência da falta de medicamentos específicos para a intubação. O filho, então, começou a procurar esses remédios por conta própria. Mas, segundo ele, a paciente começou a receber as medicações adequadas no dia 15 de abril, depois da publicação da reportagem do EXTRA.

Em nota, a Secretaria estadual de Saúde disse que informações clínicas sobre Sonia eram passadas aos familiares e que a direção do hospital segue à disposição para prestar mais esclarecimentos. “Cabe esclarecer que, durante todo o processo de internação, a paciente foi acompanhada pela equipe médica, recebendo assistência compatível a seu caso clínico, considerando doença pré-existente e complicações da Covid”, diz o texto.

Desespero relatao dm áudio

Pouco após a cirurgia, ainda no dia 1º de abril, Sonia chegou a enviar para Carlos um áudio de WhatsApp. Com a capacidade de fala sensivelmente comprometida, a aposentada contou ter sentido muita dor quando os médicos “puxaram” seu braço, e que, para aplacar seu desconforto, eles chegaram a lhe dar “muito diazepam”.

“Eles puxaram muito meu braço, gritei muito, gritei muito. Minha pressão, glicose, tudo subiu. Eles me deram um monte de diazepam para ficar grogue para puxar meu braço para tentar aliviar a dor”, disse Sonia no áudio.